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Tokyo’20: Ginasta mais premiada Simone Biles desiste para focar-se na sua saúde — Russas levam o ouro 29 Julho 2021

A desistência ontem (3ªfª, 27) da maior atleta de todos os tempos fez despencar a seleção dos Estados Unidos para o segundo lugar, após cinco títulos sucessivos mundiais e olímpicos. Ocasião de ouro para as atletas russas que após vinte e oito anos em segundo plano saem de Tóquio com a medalha ...de ouro.

Tokyo’20: Ginasta mais premiada Simone Biles desiste para focar-se na sua saúde  — Russas levam o ouro

Aos 24 anos, a supra-humana Simone Biles teve a sua pior marca em Jogos Olímpicos: 13.766.

"Com esse desempenho, decidi que não queria continuar. Não quis sair dos Jogos Olímpicos numa maca", disse horas depois. "Agora tenho de me focar na minha saúde mental. Penso que a saúde mental é o que mais importa neste momento". "Já não tenho a autoconfiança que tinha dantes. Talvez pela idade". Ou talvez porque "somos mais que atletas. Somos pessoas, afinal de contas e algumas vez temos de dar um passo atrás".

Simone expressou-se sobre "o peso do mundo sobre os ombros" — imagem (mítica) do semideus Atlas condenado a suportar o mundo sobre os seus ombros — para se justificar: "No desporto, temos agora de proteger a nossa mente e o nosso corpo e não fazer apenas aquilo que o mundo pede para fazer".

A maior ginasta, especialista na ginástica artística, vencedora de quatro medalhas de ouro olímpicas e vinte e cinco medalhas (19 delas em ouro) em campeonatos mundiais, desistiu. "A última grande campeã", segundo a treinadora Marta Karolyi que se refere ao quão extraordinária é "a minúscula Simone de 1,43 m". A Marta que com o marido Bela Karolyi treinou "a primeira grande campeã olímpica", Nadia Comaneci, que aos catorze anos fascinou o mundo nos Jogos Olímpicos de 1976 em Montreal, teve a oportunidade de quase quarenta anos depois treinar Simone Biles.

A extraordinária carreira olímpica de Simone, que aos 24 anos mede 1,43 m, está nos antípodas do que seria de esperar dada a turbulenta vida familiar.

A mãe incapaz de os criar devido à sua toxicodependência, teve de entregar ao Estado do Ohio os quatro filhos: Ashley, Tevin, Simone e Adria. Por isso, até aos seus três anos de idade, Simone e os irmãos andaram de mão em mão nas sucessivas famílias de acolhimento.

A sorte mudou quando o avô (materno) e a esposa residentes no Texas puderam adotar as duas netas mais novas, Simone e Adria, enquanto os rapazes, Ashley ’Ron’ e Tevin ’Adam’, foram adotados pela irmã do avô.

Saúde mental no desporto

O foco nas últimas horas vira-se todo para a afirmação da quatro vezes ouro nas Olimpíadas: "Agora tenho de me focar na minha saúde mental".

Consumada a tragédia americana, os flashes viram-se agora para o motivo que levou a maior ginasta de todos os tempos a desistir: doença mental. Uma questão que surgiu em maio também para justificar a ausência de Naomi Osaka da competição olímpica.

Mike Phelps foi um dos primeiros a expressar apoio a Simone Biles. O maior atleta da natação de todos os tempos — 23 vezes medalha de ouro — referiu que a decisão foi de "partir o coração", mas que a ginasta fez a escolha certa.

"Temos de encarar vários problemas" — lembra a sua própria experiência olímpica, com surtos de depressão. "É muito peso sobre os ombros, há toda a expectativa que o mundo sobre nós, de que vamos continuar a fazer o máximo e acima".

No entanto há quem refira que a ginasta está a "deitar areia para os olhos com a desculpa da doença mental".

Por isso, foi importante haver mais atletas e outros a apoiá-la em público.

Entre esses apoiantes, está a diretora-executiva da delegação olímpica dos Estados Unidos, Sarah Hirshland: "Estamos todos muito orgulhosos de ti, pela tua coragem".

"Aplaudimos a tua decisão de priorizar o teu bem-estar mental sobre tudo o mais e queremos dar-te todo o apoio e recursos que o nosso comité pode proporcionar-te".

A ginasta jamaicana Danusia Francis elogiou a "maior ginasta de todos os tempos. "Simone Biles acaba de empoderar as atletas ao mostrar que a saúde mental está acima de tudo. Ela é uma rainha. A maior ginasta de todos os tempos, não só na ginástica".

A ginasta Mélanie de Jesus dos Santos /Mélanie DJDS, a francesa com mais títulos na ginástica artística desde 2018: "Não estamos habituados a ver a Simone Biles assim. Penso que não é nada fácil o que ela fez, com o mundo todo a olhar, porque ela é a Simone Biles".

A ex-ginasta britânica Beth Tweddle, medalha de bronze em 2012 expressou: "Desde 2013 que ela nunca foi derrotada, sempre venceu todas as competições em que entrou, todos esperam que ela seja a perfeição — e isso não é possível".

A ex-ginasta Aly Raisman, de 29 anos e que competiu ao lado de Simone Biles nas Olimpíadas de 2016, destacou em entrevista à CNN que a pressão sobre os atletas é tremenda. "Estava doente, vomitei horas seguidas e obrigaram-me a treinar como se não fosse nada". "O Comité dos Estados Unidos é uma desgraça!", rematou a também medalhada do Rio2016.

A afirmação de Aly Raisman está a ser recebida como parte da memória traumática em volta do médico oficial do comité, Larry Nassar, que durante mais de uma década abusou de várias atletas, incluindo Aly e Simone. O médico especialista em cinesiologia e está a cumprir uma pena perpétua desde 2018.

Fontes: Times of Japan/CBS/BBC/CNN. Relacionado: Tokyo’20: Ginasta mais premiada Simone Biles encara tragédia do irmão, 17.jun.021.

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