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Tokyo’20: Presidente do Comité ’apanhado’ em comentário sexista anuncia hoje demissão — "Esposa, filha e neta repreeenderam-me", diz Mori 12 Fevereiro 2021

Esta sexta-feira, 12, Yoshiro Mori, o presidente da Comissão Organizadora dos Jogos Olímpicos de Tóquio adiados por um ano, formaliza a sua demissão do cargo. Uma decisão que tardou, pois Mori fez braço-de-ferro, por uma longa semana, com todos os indignados com o sexismo do comentário "elas falam de mais e competem para ver quem fala mais" com que Mori ’justificou’ o facto de o topo da organização ter só cinco mulheres entre os seus 24 membros — metade dos 40% de lugares a que se comprometera em 2019.

Tokyo’20: Presidente do Comité ’apanhado’ em comentário sexista  anuncia hoje demissão —

Uma semana sui generis que termina com a demissão do político conservador Mori, escolha do governo também de direita que, sob Shinzo Abe, o encarregou de presidir à Comissão Organizadora da 32ª Olimpíada, 64 anos depois da primeira em 1956.

Um desfecho com que não contavam nem o presidente do COI nem o governo de direita, agora liderado por Suga. Foram sete dias em que o governo parecia não entender a gravidade do assunto e dava tudo por encerrado.

A pressão nacional e internacional, do público e de patrocinadores — como a Toyota, cujo presidente criticou as palavras ’inaceitáveis’ de Mori — pode ter sido decisiva para o desfecho.

Mesmo assim, o presidente da Comissão Organizadora dos Jogos Olímpicos de Tóquio disse em conferência de imprensa na quinta-feira, 11 a sugerir assim a pressão familiar: "A minha esposa, a minha filha e a minha neta repreenderam-me".

«Ontem à noite, a minha esposa não me poupou nas críticas. Ela disse: "Voltaste a cometer uma das tuas gaffes, não é? Desta vez sou eu que vou sofrer mais, por estares contra as mulheres"».

"Esta manhã começou com a minha filha e a minha neta a repreenderem-me", disse a sugerir que a pressão das mulheres da família contou para a sua demissão. Acredite quem quiser.

Adiar e "não cancelar o sonho"

Um ano depois, ainda paira a incerteza sobre a realização dos ’JO 2020’, reagendados para 23 de julho a 8 de agosto próximo.

Foi em março último que perante o facto inexorável da pandemia, os organizadores da Tokyo’20 anunciaram o adiamento "em nome do sonho de mais de 11 mil atletas inscritos" (Tokyo’20: COI e Japão de acordo em adiar 32ª Olimpíada — "JO no máximo até ao verão 2021", 25.mar.020; Tokyo’20: COI admite adiar Olimpíadas e "não cancelar o sonho" de 11 mil atletas, 24.mar.020).

Incerteza

Há uma semana, na sexta-feira, 05, Katsunobu Kato, porta-voz do governo — ciente de que são menos de 30 por cento os japoneses que apoiam o evento, segundo a sondagem mais recente — pronunciou-se com uma crítica a "essas palavras que nunca deviam ter sido ditas".

O porta-voz destacou que o governo dava por encerrado o caso, assim como o fez o COI, e terminou com um apelo para que "os Jogos se realizem com o entendimento e a cooperação entre todos, no Japão e no mundo".

A ponderação entre saúde pública e objetivos políticos da Olimpíada leva quase 80 por cento da população a defender que o Tokyo’20 em 2021 não se realize.

Fontes: Times of Japan/Reuters. Tokyo’20: 1 ano entre factos e especulação sobre 32ª Olimpíada, 06.fev.021. Fotos: O presidente demissionário dos ’JO 2020’, Yoshiro Mori, que foi primeiro-ministro (2001-02). De branco, na foto inserida, a governadora de Tóquio afirmou a sua preocupação perante "o grande problema": o sexismo de Mori — já resolvido. O outro, maior, é a epidemia de Covid-19 — sem solução à vista.

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