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Tokyo’21: Atleta bielorrussa defecta está em Varsóvia — "Não traí o meu país" 04 Agosto 2021

No final desta quarta-feira, Kristina Timanovskaya está enfim segura em Varsóvia, após ter sido impedida de participar nos 200 metros e encaminhada no domingo à noite para o voo Tóquio-Minsk. Com apoio das autoridades aeroportuárias japonesas, ela conseguiu não embarcar. No dia seguinte, a sprinter bielorrussa de 24 anos, entrou nos noticiários como um caso de aparente "fuga de atleta", a que as Olimpíadas estão habituadas. Mas a atleta, que obteve ajuda da embaixada polaca em Tóquio — no âmbito do programa de proteção legal e assistência económica para os refugiados, que a Polónia instituiu —, em entrevista à BBC recusa qualquer conotação política no seu caso.

Tokyo’21: Atleta  bielorrussa defecta está em Varsóvia —

A atleta Kristina Timanovskaya, ao fim de quatro dias de incerteza, está enfim segura em Varsóvia — onde foi recebida com um grande aparato de segurança, segundo relataram passageiros do mesmo voo vindo de Tóquio e com um desvio por Viena.

Na capital polaca, foi recebida pelo ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros, Marcin Przydacz, que em comunicado público agradeceu "a todos os que trouxeram a atleta em segurança" até à Polónia.

Em Viena, etapa anterior da viagem, a atleta explicou que receia voltar à Bielorrússia por medo de represálias após ter recusado participar na corrida dos 4X400, já que é para os 100 e 200 metros que está qualificada.

Obrigada a deixar Tóquio pelo comité olímpico bielorrusso, a atleta relatou à Reuters na segunda-feira que na noite anterior a tinham levado ao aeroporto onde devia embarcar rumo a Minsk.

Mas ela decidiu que não ia entrar no avião e procurou a proteção das autoridades japonesas. A polícia aeroportuária atendeu-a e ela ficou num alojamento do aeroporto.

Na segunda-feira, após pernoitar no aeroporto, a bielorrussa contactou um diplomata polaco que lhe disse que ela podia ter um visto para entrar na Polónia. No dia seguinte obteve um "visto humanitário" concedido pela Polónia através da embaixada em Tóquio.

Mas segundo as autoridades aeroportuárias em Tóquio, na quarta-feira, no "último minuto ela decidiu trocar o seu destino: em vez de Varsóvia, Viena". Ao fim do dia, soube-se porquê.

Kristina Timanovskaya receava que a longa mão da ditadura pudesse fazer fracassar a sua viagem até à Polónia, como aconteceu há menos de três meses com o jornalista cujo avião foi desviado da rota Atenas-Vilnius na Lituânia e forçado a aterrar em Minsk (Bielorrússia: Lukashenko manda caças interceptar voo de opositor —"A pena de morte espera-me aqui", 24.mai.021).

Desobediência ao Comité Olímpico Bielorrusso

A Associated Press, hoje, noticia que Kristina Timanovskaya expressou através das redes sociais diversas queixas acerca do corpo técnico do COB. Uma delas refere que o COB a tinha obrigado a competir na série 4 × 400 m, apesar de ela ter só qualificação para os 100 e os 200 metros. Foi a sua recusa que levou o COB a retirá-la da prova da segunda-feira e antecipar-lhe o regresso para domingo, 01.

Para o treinador chefe Yuri Moisevich em depoimento à televisão pública japonesa, "ela começou a agir de maneira estranha", a dar sinais de que "algo fora do normal" estava a acontecer, "ela ficava em total isolamento, recusava conversar".

Entretanto, contou o treinador ao online russo RT, a sprinter foi abordada por um diplomata polaco, Pawel Jablonski, que lhe explicou o sistema polaco de asilo e se ofereceu para a ajudar.

A autoridade olímpica da Bielorrússia emitiu um comunicado em que justifica a decisão de mandar a atleta para casa na véspera da prova desta segunda-feira. O corpo técnico do COB tomou a decisão com base num parecer médico que refere "a situação emocional e psicológica da atleta".

A decisão de Kristina Timanovskaya, segundo a AP inspirou já outros atletas bielorrussos. A heptatleta Yana Maksimava e o marido, Andrei Krauchanka, vencedor da medalha de prata no decatlo nas Olimpíadas de 2008 em Beijing/Pequim já expressaram que vão pedir asilo na Alemanha.

Presidente da Bielorrússia e do COB

Alexander Lukashenko, presidente há trinta anos, foi também durante vinte e cinco anos o presidente do COB. Em fevereiro deste ano, abdicou do cargo e entregou-o ao filho. O prestígio da Olimpíada é uma questão de interesse nacional bielorrusso.


Em Viena de Áustria

"Estamos muito felizes por Kristina Timanovskaya se sentir segura aqui", disse o diplomata Magnus Brunner, que a acolheu em Viena à sua chegada na quarta-feira à tarde. Mas o alto-funcionário dos Negócios Estrangeiros lamenta o facto de que "ela está com muito ansiosa acerca do futuro, dela e da família".

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Fontes: AP/BBC/Reuters/RT. Foto: A atleta medalha de ouro na Universiade de 2019 nos 200 metros. Medalha de prata nos Europeus sub-23 de 2017 nos 100 metros.

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