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Toponímia capitalina — Rua do hospital homenageia quem primeiro no mundo aboliu pena de morte 07 Julho 2019

O nome na placa da rua do hospital homenageia Barjona de Freitas. "Rua de hospital" na boca da cidade e dos i-migrantes que chegam de manhã à Riba Praia para voltarem ao fim do dia ao seu "nha fora".

Por: Por: Luiz Cunha

Toponímia capitalina — Rua do hospital homenageia quem primeiro no mundo aboliu pena de morte

O nome de registo na placa toponímica, ora enlatoada ora em pedra, é aquele a que os habituados a aí circularem nem ligam. Transeuntes que encolhem os ombros quando lhes pedimos contas do desencontro entre o que dizem e o que está na placa. Contas pedidas por quem não tem a legitimidade, nesta sempre duplicada e nunca unificada toponímia.

Rua Barjona de Freitas dissera a placa, agora tapada pelo banner do tamanho da fachada a todo o comprimento X largura da casa. Por onde passaram gerações de explicandos – desde a pré-história do ensino liceal na capital.

Para sermos fieis (plural de fiel, e nada a ver com o imperativo ou conjuntivo de fiar) ao que está na placa, “rua Borjona de Freitas”, sic, textualmente, com o "o" pretónico que é na Enciclopédia "a".

Bem escrito ou com erro, a toponímia capitalina homenageou o governador-geral, António Alfredo Barjona de Freitas, nado em Coimbra em 1860 e que o barco trouxe em 1903 ao mais ocidental arquipélago africano em missão oficial para ocupar cargo mui prestigioso, dizia-se o adjetivo de modo irónico em São Bento.

Facto é que Barjona de Freitas foi o único governador-geral de Cabo Verde que mereceu palavras imortais de Vítor Hugo: "Desde hoje, Portugal está à frente da Europa. Vós, os portugueses, não haveis cessado de ser navegadores intrépidos. Ides sempre para a frente, outrora no Oceano, hoje na Verdade. Proclamar princípios é ainda mais belo do que descobrir mundos".

O imortal francês, autor de Último Dia de um Condenado, comovera-se até ao infinito com a notícia que correu a Europa e o mundo: Portugal aboliu a pena de morte.

O nome do primeiro abolicionista da pena capital, lembremos neste julho. Há cento e cinquenta e dois anos, Barjona de Freitas entrou na história da reforma penal, ao ser aprovada a sua proposta de abolir a pena capital.

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