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Toponímia capitalina — placar o bom nome ou... 16 Mar�o 2018

Pode ser outro o nome certo, nem precisa ser bom: ser certo já é, de per se, bom, geograficamente falando. Mas e se “o GPS pode ter erro até 10 por cento”?! Isto cogito frente ao “avenida Dr. Júlio Barbosa Nunes Pereira”, que se junta à designação oficial, na placa toponímica “avenida Che Guevara” e mais um nome atribuído ao que a geração mais velha chama “Estrada da Fazenda”.

Por: Luiz Cunha

Toponímia capitalina — placar o bom nome ou...

Os três ou quatro nomes que tem, desde pelo menos os relatos oitocentistas, a antiga “Estrada da Fazenda” (em bom português pede o artigo definido, mesmo se gosto do sabor "e tal" que lhe dá o nosso ’de’. Lido ’d’’, ’di’ sabe-me bem!).

A placa “avenida Dr. Júlio Barbosa Nunes Pereira”, vejo-a desde os anos noventa no primeiro prédio “moderno”, usado vox populi no sentido de não-térreo, a seguir à Escola SOS, na Fazenda. Se não me engano, foi colocada, não-oficialmente, muito depois de surgir em documentos a “avenida Che Guevara”.

Mas é a primeira vez que a vejo fora dessa placa, singular na forma-conteúdo e singela na intenção. Oficializada "avenida Dr. Júlio Barbosa Nunes Pereira" — em documentos oficiais, passe a redundância, que aqui é expressivo-emotiva —, leio-a num anúncio datado de 16.2.2018, sobre uma execução (com o nº 43 do ano transato) assinado por Magistrado do 2º Juízo Cível do Tribunal da Praia.

Como designação toponímica no país independente, “Estrada da Fazenda” (N.B.: sem “rua ou “avenida”) aparece em muitos documentos oficiais encontráveis nas publicações desde os anos de 1980. Nos anos subsequentes, lembro ter lido nas páginas deste e outros semanários, em anúncios diversos institucionais, por aí se localizar uma das agências da Cooperação Austríaca.

Onde há colisões, entre significantes plurais para uma mesma significação, a solução pode não surgir logo. Muitas vezes é com o tempo escultor que decide o vencedor da competição. Os guias turísticos, o google map (foto), que trazem “rua Che Guevara”, vão ser o tempo escultor neste caso?

O outro contexto desta crónica

Esta, que dedico à Antónia, última flor do jardim do casal Lima Monteiro, que em 15.3 ‘põe o capacete dos quarenta’.

A febre de sábado à noite mais que baixou já – dela fica a nostalgia e a certeza de que a vida é sempre a somar – e neste sábado à noite derivo para uma febre mais metafísica, hertziana.

Entro pois em modo navegação, nas ondas. Web-surfing, não outra. Vou ter ao repositório das teses produzidas, por nacionais e não, sobre Cabo Verde.

Entro no Sigarra.pt e leio: “a toponímia representa, mais que o acervo das culturas dos povos que entraram na composição da sociedade caboverdiana**, a especial relação que os homens das ilhas têm estabelecido com a natureza, e que do português emprestaram a base lexical, na sua vertente formal, sendo a actualização conteudística produto autóctone da nova sociedade humana. O que não é de surpreender dada a especial forma de reprodução social que se operou nas ilhas, desde a forma de divisão da terra em pequenas parcelas destinadas tão-só à subsistência. ” (p.80. link: https://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/19410/2/4158TM01P000081649.pdf)

É pois numa dessas teses dissertativas, de 2000 ou 2001, que vislumbro o que será uma tentativa de retrato atual recente para atualizar (no sentido de concretizar) o programa de descrição corográfica iniciado no século XIX por agentes do Rei. Um interesse pela pobre colónia que nesse século Darwin tinha visitado, em missão patrocinada pela Rainha Vitória. Nas pegadas (leia-o ‘é’ de ‘pé’) da ainda prima britânica, o Rei de Portugal começa a mandar cientistas que lhe fazem relatórios sobre a terra e as gentes.

(**grafia não-oficial, embora decididamente a única apropriada. Hei-de voltar ao tema, logo que arrume os meus papéis, ainda com acento – enquanto me não decido (a assentar ideias) sobre a colisão com o verbo que deu …papaia(?), que não sei ainda porquê me dá a ideia de regionalização, hoje, 15, em mais um conferenciatório para ninar os meus primos mindelenses.)

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