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TACV em dificuldades: Trabalhadores preocupados com salário em atraso e proposta para sua redução 29 Junho 2022

Trabalhadores da TACV procuraram este jornal para denunciarem que se encontram com dois meses de salário em atraso, ao mesmo tempo que alertam para a situação difícil da companhia de bandeira nacional, que tem já em análise uma proposta para uma redução substancial dos rendimentos do colectivo. Questionado pelo ASemanaonline, o secretário-permanente do Sindicato de Indústria, Transportes, Telecomunicações, Hotelaria e Turismo (SITHUR), Amílcar Neves, confirma ter conhecimento dessas informações através de um encontro com o Conselho da Administração e outras vias, mas quanto à alegada proposta para a redução salarial promete falar só depois de reunir esta quinta-feira com os colaboradores da empresa.

TACV em dificuldades: Trabalhadores preocupados com salário em atraso e proposta para sua redução

Conforme a fonte deste jornal, os trabalhadores da TACV estão com dois meses de salário em atraso. «Isto configura que a empresa está a passar por uma situação financeira difícil», adverte.

O informante revela inclusive que está a circular uma proposta da administração, que quer reduzir o salário dos colaboradores, numa percentagem que vai de 5% a 35%, conforme o escalão: até 50.000$00 (5%), de 50.000$00 a 100.000$0 (15%), de 100.000$00 a 200.000$00 (20%), de 2000$001$0 a 350.000$00 (25%), de 350.001$0 a 500.000$00 (30%) e a partir de 500.001$00 (35%).

Questionado sobre os fatos referidos, o secretário-permanente do SITHUR, que representa a maioria dos trabalhadores, confirma que teve o conhecimento dessas informações por viárias vias – formais e não formais. Amílcar Neves revela que, numa reunião que teve hoje com o Conselho da Administração, foi informado das razões que terão estado na origem do atraso no pagamento dos dois meses de salário em atraso, admitindo inclusive que a situação de dificuldade por que passa a empresa possa levar a administração a pensar nesse cenário de redução salarial.

«Mas, por uma questão de ética, sobre este particular só falarei depois de uma reunião, para auscultar os trabalhadores, que convoquei para esta quinta-feira, na Praia», avança Amílcar Neves.

O sindicalista lembra, no entanto, que a redução salarial é ilegal e só pode avançar mediante acordo com os trabalhadores. «Vamos auscultar esta quinta-feira os trabalhadores sobre essa matéria. Na próxima quarta-feira, vamos levar a posição do colectivo à uma nova reunião com o Conselho da Administração da TACV», assevera o secretário-permanente do Sindicato de Indústria, Transportes, Telecomunicações, Hotelaria e Turismo, que se mostra preocupado com a situação financeira por que passa a companhia aérea cabo-verdiana.

Excesso de pessoal, processo da privatização e renacionalização

Entretanto, a TACV, com 204 trabalhadores, está ainda com excesso de pessoal, segundo declarou à imprensa a presidente do Conselho de Administração da TACV, quando, em 17 de Maio deste ano, foi ouvida na Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia Nacional criada para analisar o processo da privatização da companhia de bandeira.

Sara Pires avançou que a TACV precisa dispensar 42 trabalhadores para poder manter o equilíbrio. “A empresa precisa ser redimensionada para fazer jus ao número de aparelhos que nós temos previsto operar. São três aparelhos e com isso registamos o excesso de pessoal que tem de ser dispensado. Nós priorizamos o acordo de pré-reforma e mútuo acordo. Despedimento será sempre em último caso”, afirmou.

Segundo a fonte deste jornal, a presidente do Conselho de Administração da TACV disse que o maior desafio da empresa é manter a companhia a voar, ainda mais agora com o aumento dos preços dos combustíveis. Mesmo assim, a administração da TACV está em processo de aquisição de um avião para retomar as operações para França, Brasil e os Estados Unidos.

De recordar que março de 2019, o Estado de Cabo Verde vendeu 51% da TACV por 1,3 milhões de euros à Lofleidir Cabo Verde, empresa detida em 70% pela Loftleidir Icelandic EHF (grupo Icelandair, que ficou com 36% da Cabo Verde Airlines – nome comercial da companhia) e em 30% por empresários islandeses com experiência no setor da aviação (que assumiram os restantes 15% da quota de 51% privatizada).

Entretanto, na sequência da paralisação da companhia durante a pandemia de covid-19, o Estado cabo-verdiano assumiu em 06 de julho de 2021 a posição de 51% na TACV, alegando vários incumprimentos na gestão, e dissolveu de imediato os corpos sociais.

O dossiê continua na ordem do dia. Por isso, a Comissão Parlamentar de Inquérito, criada por iniciativa do PAICV (oposição), quer analisar este processo e a liquidação da operação da TACV nos voos domésticos, que desde novembro de 2016 passaram a ser assegurados apenas por uma única companhia aérea privada- Binter-CV/TAICV (agora BestFlay).

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