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Tribunal da ONU mantém perpétua a Ratko Mladić , "o carniceiro dos Balcãs" 11 Junho 2021

Sem surpresa, Ratko Mladić, o militar bósnio-sérvio — que foi condenado em 2017 à prisão perpétua pelos crimes praticados durante a Guerra da Bósnia de 1992-1995 — vai continuar na prisão. O Tribunal da ONU mantém a pena perpétua ao "carniceiro dos Balcãs".

Tribunal da ONU mantém perpétua a Ratko Mladić ,

Foi indeferido, esta quinta-feira, o apelo de Mladić, de 78 anos, que há quatro foi condenado à prisão perpétua pelo ICTY- Tribunal Internacional para Crimes contra a Humanidade na ex-Jugoslávia.

Em 2017 o tribunal, que funcionou entre 1993 e 2017 para julgar cento e sessenta e uma pessoas por crimes durante a guerra da Jugoslávia, deu como provado que o general comandou diretamente o Massacre de Srebrenica em julho de 1995, durante o qual assassinaram mais de oito mil muçulmanos bósnios.

Os relatos horríficos apresentados em tribunal davam conta do cerco de 43 meses a Sarajevo, onde milhares de civis foram mortos por fogo de artilharia e de franco-atiradores instalados nas colinas ao redor da cidade de Srebrenica.

14 anos em fuga

Mladić desapareceu por mais de uma década, durante a qual tinha a cabeça a prémio, primeiro por um milhão de dólares e por fim atingiu os quatro milhões.

Foi finalmente preso na Sérvia em 26 de maio de 2011. O próprio presidente do país, Boris Tadić, fez o anúncio da prisão do ex-general e declarou que "removia um fardo pesado dos ombros da Sérvia e fechava uma página infeliz da história do país".

TPI vs. ICTY

O TPI, tribunal da Haia, tem nos seus dois decénios de existência sido alvo de críticas crescentes.

A sua eficácia é baixa, ao contrário do vizinho ICTY- Tribunal Internacional para Crimes contra a Humanidade na ex-Jugoslávia. Entre os condenados mais notórios do ICTY, constam o líder bósnio-sérvio Ratko Mladic que cumpre pena perpétua; o presidente da autoproclamada República Sérvia Krajina, Goran Hadzić, detido em 2011 (após fugir em 1998) e que aguardava julgamento quando lhe foi diagnosticado um cancro cerebral de que morreu em 2016, aos 57 anos.

O descontentamento com as sentenças do TPI tem crescido nos últimos anos, perante alguns dos suspeitos mais notórios.

Um, o antigo presidente sérvio Slobodan Milošević que, em fevereiro de 2007, o TPI inocentou dos crimes contra a humanidade cometidos durante a Guerra da Bósnia. A absolvição deu-se, apesar de o presidente do tribunal da Haia declarar que "tinha sido dado como provado que (...) Milošević em particular tinha conhecimento dos massacres sobre os bósnios.

Outro, o antigo líder rebelde do MLC-Movimento para a Libertação do Congo e ex-vice-presidente da República Democrática do Congo, Jean-Pierre Bemba — notícia neste online após o TPI mandar arrestar os seus bens, na Europa, e ainda c. duzentos milhões CVE no BPN-IFI (Ex-líder rebelde do RDC tinha 1,7 milhão de euros depositados em Cabo Verde, 30.jul.009).

Bemba foi inocentado e libertado em 21 de junho de 2018, depois de recorrer da sentença de junho de 2016, que o tinha condenado a trinta anos por crimes contra a humanidade e cinco crimes de guerra.

Outro ainda, o antigo presidente ivoirense, Laurent Gbagbo [Holanda: TPI inocenta o ex-presidente Laurent Gbagbo de crimes contra Humanidade, 15.jan.019], que também saiu livre e impune do tribunal da Haia.

Fontes: Le Monde/BBC/AFP/Getty Images/outras referidas.

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