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Tunísia: Candidatos ‘anti-sistema’ Said e Karoui na segunda-volta da eleição presidencial 17 Setembro 2019

Um independente, Kais Said, com 19% e um magnata preso, Nabil Karoui, com 15% são o primeiro e o segundo colocado na eleição presidencial de 15-9, que teve só 45% de votantes. Os partidos do sistema, com 24 candidatos, foram derrotados nesta segunda eleição presidencial ’livre’ no país exemplar da ‘Primavera Árabe’, mas os novos ’anti-sistema’ não atraem a juventude cética perante o desemprego e a omnipresente ’corrupção’.

Tunísia: Candidatos ‘anti-sistema’ Said e Karoui  na segunda-volta da eleição presidencial

A insurreição eleitoral e a abstenção marcaram o ato eleitoral de domingo, 15, que, agendado para novembro, teve de ser antecipado dois meses, devido à morte em 25 de julho do presidente Essebsi, também candidato e que as sondagens davam como favorito.

A insurreição contra o sistema traduziu-se na vitória de Said, o jurista e professor de direito constitucional, de 61 anos (à esqª, na foto) e de Karoui, de 56 anos, dono da TV Nessma, preso em 23 de agosto por fraude fiscal e lavagem de capitais. O concorrente independente e o ’populista’ surgem como o primeiro e o segundo colocado, de entre os vinte e quatro candidatos.

Caíram os vinte e quatro candidatos suportados pelos partidos do sistema, incluindo as novas formações que são, segundo politólogos, "os velhos partidos sob nova designação". Isso pode explicar em parte a alta taxa de abstenção, de 55% dos 7,15 milhões de eleitores tunisinos. A eleição de 2014 registara uma taxa de participação a abeirar os 70%.

O candidato detido, que os media estrangeiros já cognominaram de "Berlusconi tunisino", era conhecido do seu eleitorado, dizem os meios de comunicação social tunisinos. É que Karoui ao longo dos últimos anos usou a sua cadeia televisiva para se dar a conhecer ao país em "ruidosas obras de beneficência dirigidas aos mais pobres". A campanha entre 2 e 13 de setembro acabou por ser levada a cabo pela esposa do candidato detido por crimes cometidos em 2016.

Said, independente e sem recursos, destacou-se na campanha porta a porta. "A cada eleitor explicava o seu programa eleitoral" marcado por uma ideologia que os críticos apontam como conservadora.

O ato eleitoral agendado para novembro teve de ser antecipado dois meses, devido à morte em julho do presidente Essebsi, também candidato e que as sondagens davam como favorito. O presidente mais idoso em funções a nível mundial, foi também o mais idoso a ser eleito aos 87 anos em 2014. Combatente da independência, integrou o gabinete de Habib Bourguiba, o primeiro presidente da República da Tunísia fundada em 1956.

Derrotados candidatos do ’sistema’

O candidato do PNT-Partido Nidaa da Tunísia, o ministro da Defesa Abdelkarim Zbidi. Para que fosse candidato do governo do presidente Essebsi, terá havido manobras para afastar da corrida o primeiro-ministro.

O primeiro-ministro Youssef Chahed, que em janeiro saiu do PNT-Partido Nidaa da Tunísia para formar o PQT-Partido Qalb da Tunísia.

Abir Moussi, uma das duas mulheres na corrida, apoiante do presidente Ali caído em 2011. Esta advogada de 45 anos formou um novo partido, UDC-União da Democracia e Constituição, mas os críticos veem nela o regresso da política ditatorial instaurada em 1987 e que em 2011 a ‘Primavera Árabe’ derrubou.

Moncef Marzouki, presidente da transição após os vinte e sete dias de protesto (que forçaram a saída do presidente Ben Ali, no poder desde 1987). Nova derrota após a da primeira eleição livre, possibilitada pela Revolução de Jasmim da ’primavera árabe’, em que Marzouki foi derrotado por Beji Caid Essebsi.

A reputação de oponente à ditadura de Ben-Ali levou Marzouki à presidência entre 2011 e 2014, mas a sua aliança ao partido islamista Ennahdha custou-lhe o apoio dos jovens, a principal força do movimento de 2011 que surpreendeu o mundo.

Revolução de Jasmim 18.12.2010 – 14.01.2011

A revolução tunisina durou três semanas e seis dias, marcada pela resistência dos cidadãos com sucessivas manifestações de rua a pedir a demissão do presidente Zine El Abidine Ben-Ali. Ao fim de anos sob o seu comando, a Tunísia estava a braços com altas taxas de desemprego, inflação alta, corrupção e repressão traduzida em grande número de prisioneiros políticos.

Quase nove anos depois, a principal força por trás da Revolução deixou de acreditar porque voltaram as altas taxas de desemprego, a inflação alta, a corrupção ...

Fontes: AFP/Reuters/Al-Jazeera/Le Monde/DW./Arquivo. Fotos: Apoiantes de Karoui (à dta, na foto ao alto) sairam à rua a festejar, pouco depois de divulgadas as projeções de duas empresas de sondagem. Antevê-se uma segunda parte aguerrida, mas sem participação da juventude desencantada com as promessas por cumprir.

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