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Turismo: Boa Vista no auge, Sal em decadência 10 Agosto 2009

Enquanto que na Boa Vista o sector turístico está a “bombar”, no Sal as gerências dos hotéis estão a apertar o cinto para driblar a crise. A ilha das dunas regista uma taxa de ocupação que varia entre 70 a 95%, roubando o pódio ao Sal, onde o turismo está em queda livre: a ocupação nos principais hotéis não passa de 50% durante este verão de 2009. A crise internacional está a afectar directamente os cabo-verdianos, mas quando o assunto é turismo não se pode negar que em Cabo Verde enquanto uns destinos sofrem outros estão de sorriso aberto.

Turismo: Boa Vista no auge, Sal em decadência

A taxa de ocupação no hotel Riu Karamboa, Boa Vista, chegou aos 95% no último mês. Em Junho a lotação esteve a volta de 93%, cerca de 13% a mais do que em Maio. O Riu Karamboa deixou, assim, os seus piores números lá para o começo da sua actividade na ilha, quando não passou da marca dos 65%, em Novembro. Nos dois meses seguintes, os turistas vieram em peso para passar o Natal e fim de ano, ascendendo assim para 75%. Em Fevereiro e Março houve uma ligeira queda: 70%. A recuperação foi imediata: 75% em Abril e 80% em Maio.

Boa ocupação nos outros hotéis da Boa Vista

Quem soube muito bem driblar esta crise é o Hotel Boa Vista, situado no coração da Vila de Sal Rei. Associado à operadora turística Sol Trópico e à agência de Viagem Clamtour, desde o fim do ano passado, este pequeno hotel só vem somando turistas. Esta semana o Hotel esteve completamente cheio.

Com a abertura do Riu Karamboa, o Venta Clube começou a decair um pouco, mas aos poucos foi-se recuperando. Neste momento a ocupação oscila entre 50 e 70%.

Os residenciais e guesthouse’s da ilha também estão saber lidar com a crise que afecta o sector turístico e imobiliário a nível mundial. E têm os seus clientes garantidos: Os que não gostam de turismo de massa, preferem hotéis pequenos, de carácter familiar. A aposta também está no turismo interno. Os residenciais e guesthouses e aparthotéis estão a praticar preços mais baixos, para a conquista dos turistas nacionais.

Enquanto o turismo reluz na Boa Vista, no Sal a situação é crítica. O hotel Odjo d’Água, com capacidade para 46 quartos, tem uma taxa actual de apenas 24 %, mas espera um aumento de 13,5% até fins de Agosto. Esta unidade quer agora conquistar turistas nacionais, através de publicidades na comunicação social cabo-verdiana. Música ao vivo e a gastronomia cabo-verdiana são outras "iscas" para encher o hotel.

O mesmo acontece com o Hotel Djad’ Sal, que reduziu quase 40% do preço dos quartos. Mas nem essa redução drástica na sua diária fez com que a taxa de ocupação actual deixasse a casa dos 50%. Uma situação difícil para quem no ano passado esteve praticamente lotado. O director do hotel está confiante de que vai aumentar em Agosto, mês que sempre acontece o pico de visitas à ilha do Sal. Ainda assim, não acredita que este aumento vá cobrir as perdas que a unidade hoteleira enfrentou durante todos estes meses.

Em geral, todos os hotéis do Sal queixam-se da redução de números de turistas. Enquanto esta crise não termina cada um está a tentar sobreviver a sua maneira: Baixar o preço, reduzir os custos, apostar em actividades culturais e tradicionais são algumas das medidas que as gerências dos hotéis do Sal estão tomar para não fecharem as portas.

Mas como toda a crise tem o seu lado bom, esta fez os operadores turísticos e donos de hotéis despertar para um segmento que até agora não ligavam nenhuma: o turismo interno, com algum poder de compra e que pode muito bem viabilizar o negócio quando as portas lá fora vão se fechando aos poucos. Afinal, a crise é "braba"lá fora e a classe média, principal motor do turismo internacional, está falida. E os de cá, não porque estejam a nadar em dinheiro, podem sempre dar uma satada aos hotéis, se os preços forem convidativos e a oferta não lhes faça sentir um peixe fora de água. A solução "Odju D’Aga" é um exemplo de que a crise pode também ajudar-nos a descobrir ’tesouros" escondidos, cujo valor, à força de sempre olhar para o lado, pode revelar-se uma grande e agradável surpresa. Quem sabe esta crise não seja o começo do fim de um "turismo água de açucar", que não sabe a nada porque incaracterístico, para fazer emergir um turismo com a marca Cabo Verde gravada com as cores fortes da música, gastronomia, história e
tradição de um povo único e sem igual.

Bem hajam novos tempos!

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