Legislativas 2021

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Sal/Aldirley Gomes da UCID: "Não podemos continuar dependentes inteiramente apenas do turismo" 07 Abril 2021

O cabeça-de-lista da UCID pelo círculo eleitoral do Sal defende ser preciso haver mudança e investir em outros sectores que não seja somente o turismo, na ilha. Em entrevista exclusiva ao Jornal A Semana, Aldirley Gomes promete, caso o seu partido vença as eleições de 18 de Abril, investir ​“fortemente” em outros sectores “para alavancar” a economia da ilha, com destaque para a pesca, a agricultura moderna e a pequena indústria. Tudo com o objetivo de diminuir a dependência da ilha do turismo.

Entrevista conduzida por Luciana da Cruz/ Redação

Sal/Aldirley Gomes da UCID:

A Semana: Como está composta a lista da UCID às legislativas em termos de competência técnica e género?

Aldirley Gomes- A lista que apresentamos é uma equipa multidisciplinar com capacidades técnicas de grande relevo para a Ilha do Sal. Turismo, Tecnologia, Urbanismo, Economia, Educação, Relações Internacionais e Ciência Política são as competências que compõem a nossa lista. Em termos de Género, garantimos um equilíbrio importante de 57% Homens e 43% Mulheres, sendo que 50% das pessoas que compõem a lista são jovens com menos de 40 anos.

Com que nível de linguagem e metodologia de contatos pretende fazer a campanha eleitoral?

- Nós estamos a atravessar uma situação complicada por conta da Pandemia da Covid-19 que nos obriga a estar constantemente atentos.Por isso, para a campanha eleitoral, pretendemos fazer uma aposta nas plataformas digitais - redes sociais. Nos nossos contatos diretos com a população, privilegiamos grupos de pequena dimensão, porque para além de ser eficiente mostramos uma diferença clara em relação às outras forças políticas que apenas querem exibir moldura humana, ainda que isso signifique um comportamento de risco face à pandemia.
A nossa campanha é pedagógica, no sentido de esclarecer às pessoas o real papel do Governo e dos Deputados Nacionais, para que possam tomar uma decisão mais consciente na hora de votar.

Apostas da UCID para relançar o desenvolvimento do Sal

Quais as principais apostas que a plataforma eleitoral da UCID preconiza para relançar o desenvolvimento do Sal?

- É preciso equilibrar a Assembleia Nacional, extirpando a maioria absoluta do cenário político Nacional. Queremos dar à ilha do Sal Deputados que representam efetivamente os salenses e os seus cidadãos e não os partidos como se tem verificado até agora em toda a nossa história de Pluralismo Partidário.

Na linha da Governação, é notável a necessidade de rever o nosso tecido económico e social para garantir oportunidades a todos os cidadãos. As desigualdades são evidentes. Por outro lado, não podemos continuar inteiramente dependentes apenas do turismo. Precisamos estimular outros sectores económicos, nomeadamente a pesca, a agricultura moderna e a pequena indústria. Para garantir um mercado importante que não dependerá de fatores externos como é o caso do turismo, defendemos a criação de condições internos para o abastecimento do próprio Mercado Turístico. Isso garante maior Justiça Social, qualifica os nossos cidadãos, e abre oportunidades para todos. Se apostarmos na democratização das energias renováveis, temos claramente sustentabilidade social e ambiental.

A nível da Saúde, Sal, sendo uma das ilhas mais Turísticas e o maior destino do país, não se compreende o descaso das sucessivas governações em relação ao Hospital do Sal. Nós precisamos de um hospital de qualidade, algo que já esperamos há muito tempo. Não adianta falar do Centro de Saúde de Santa Maria porque um Centro de Saúde não é um hospital. Até hoje o que se fez em Santa Maria foram apenas alvenaria e mobiliário. Precisamos de recursos humanos, capacidades técnicas, equipamentos de diagnóstico, entre outras coisas.

Quanto à habitação, a Ilha do Sal precisa de mão-de-obra e é de grande importância termos um Plano de Habitação consistente para responder a esta demanda. Só isso irá alterar o cenário de barracas que prolifera por toda a Ilha. Será preciso introduzirmos tecnologias alternativas de construção para diminuirmos o custo e o tempo de construção, porque poderemos salvaguardar o ambiente, recorrendo cada vez menos a inertes -areia - que através das nossas praias, são um dos principais recursos que oferecemos aos visitantes.

A ilha do Sal enquanto Ilha turística tem de ser um centro cultural de excelência. Nós somos uma ilha cosmopolita, com gentes de todas as ilhas, de todos os continentes. Por isso, veja o grande potencial cultural da Ilha do Sal. Precisamos agora investir em investigação, formação, em infraestruturas como auditórios, museus, monumentos, etc. O Mundo exige que aproveitemos esta pausa para preparar a retoma do turismo numa perspetiva da sua sustentabilidade.

Conhecendo o modelo turístico da Ilha do Sal, a cultura terá seguramente um papel importantíssimo para a transformação desta indústria na Ilha.

A descentralização é importantíssima para o desenvolvimento de Cabo Verde. Entendemos que a Regionalização deve avançar. O desenvolvimento só acontece de dentro para fora, isso significa que as decisões devem ser tomadas e executadas lá onde são necessárias. A Ilha do Sal tem grandes responsabilidades no contexto nacional, portanto, deve ter a capacidade de produzir as soluções e implementá-las localmente. A regionalização nos dará esta possibilidade.

Que aspectos importantes da ilha do Sal devem merecer uma atenção especial na próxima legislatura?

- Merecem atenção o sector da saúde, a habitação, a cultura e a economia, privilegiando os sectores primários, a pequena indústria e as energias renováveis, que contribuirão para mitigar o alto custo de vida na Ilha do Sal.

Reivindicações dos Salenses

Pode enumerar as principais reivindicações dos salenses neste momento ?

- Há uma clara desilusão em relação às forças políticas que nos tem governado. Há um sentimento inequívoco de descrédito. Os salenses exigem novos políticos, novas forças e políticos que estejam sempre próximos da população, não apenas nos períodos eleitorais. Precisam de políticos que cumpram aquilo que prometem. Há anos que as pessoas vão às urnas com promessas de felicidade, mas isso não tem acontecido. Ano vai ano vem, tudo fica na mesma. Os altos níveis de abstenção provam isso. Por outro lado, é o que referimos acima: Os Salenses pedem Saúde, Habitação, Emprego, Formação, Educação e novas oportunidades.

O que a lista do UCID pretende fazer para credibilizar a política e reconquistar os eleitores?

- A forma como abordamos as pessoas, a campanha pedagógica que estamos a fazer mostra uma clara diferença nos nossos processos, a nossa visão política e o nosso interesse nas pessoas. Por outro lado, a tónica colocada no país e na Ilha do Sal, evidencia pessoas comprometidas com o bem comum, ao contrário dos interesses de grupo que caraterizam os principais partidos do arco do poder. Os cabo-verdianos estão cientes disso e por isso nos têm apoiado efusivamente. Querem se ver livres dos interesses partidários já sobejamente conhecidos de todos.

O que esta candidatura da UCID traz de diferente em comparação com a lista dos outros partidos?

- No essencial, pessoas comprometidas com a Ilha do Sal e com Cabo Verde. Pessoas com capacidade de intervenção e que não estão sujeitas à lei da rolha e da disciplina partidária, nem com interesses de grupo.

Qual é a meta definida pela sua lista no tocante ao número de mandatos quer eleger no dia 18 de Abril?

- Se levarmos em consideração tudo o que defendemos, e a nossa vontade ferrenha de ver Cabo Verde num caminho de desenvolvimento, a nossa consciência nos leva a lutar por pelo menos dois Mandatos na Ilha do Sal. No entanto, queremos ganhar pelo menos um Mandato, dando à Ilha um deputado que irá defender a Ilha do Sal e não o partido como verificamos em relação aos dois partidos que governam o país desde a independência nacional.

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