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UE financia em 110 mil euros projeto para proteger património subaquático de Cabo Verde 06 Julho 2022

Cabo Verde vai beneficiar de um financiamento da União Europeia (UE) de 110 mil euros para implementar o projeto Margullar2, para intervir na melhoria dos museus relacionados com a temática do mar, disse hoje fonte oficial.

UE financia em 110 mil euros projeto para proteger património subaquático de Cabo Verde

Desde logo, estamos a falar do Museu do Mar em São Vicente, do Museu da Arqueologia na Praia e do Núcleo da Arqueologia que será criado no Boa Vista. O projeto tem a vantagem de trazer a possibilidade de trabalharmos a reabilitação das estruturas”, explicou, segundo a Lusa citada pela Visão, na cidade do Mindelo, a diretora dos museus de Cabo Verde, Samira Baessa, na apresentação do projeto.

O projeto Margullar2, orçado em 110 mil euros, conta com financiamento da União Europeia e será finalizado em outubro de 2023, envolvendo, além de Cabo Verde, o Senegal.

A diretora disse que o projeto Margullar2 chega a Cabo Verde num período em que há um novo olhar e visão em relação à potencialização do mar e dos seus recursos.

Cabo Verde aderiu em 2008 à Convenção do Património Cultural Subaquático da UNESCO, o que reforça o compromisso e engajamento do Estado em relação a esta questão específica. A convenção conhece a importância do património cultural subaquático como uma parte integrante do património cultural da humanidade, particularmente com a história dos povos, das nações e suas relações mútuas em relação ao património que é comum”, salientou.

Segudo a mesma fonte, a legislação cabo-verdiana já apresenta algumas indicações em relação à necessidade de preservar e proteger o património cultural subaquático, apontou.

Este mesmo regime jurídico também propõe uma certa articulação e compatibilizar o património cultural com as restantes políticas que se dirigem a idênticos ou conexos interesses, a possibilidade de Cabo Verde estabelecer parcerias com outras instituições ou regiões que tenham esta preocupação comum”, enfatizou Samira Baessa.

O projeto será desenvolvido em três grandes eixos, nomeadamente a reativação dos centros de arqueologia marítima para a valorização do património histórico subaquático, a proteção e preservação do património submerso, com a criação de redes de parques arqueológicos subaquáticos e a valorização deste património submerso da Macaronésia.

O projeto Margullar, prossegue a Lusa, foi desenvolvido em parceria com as ilhas da Macaronésia (Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde) e visa articular o património e turismo através da realização de trabalhos de arqueologia subaquática para a preservação e conservação do património marinho, para a sua posterior valorização e aproveitamento, com foco na melhoria da atratividade e promoção do turismo nestas regiões.

No caso de Cabo Verde, estão contabilizados mais de 150 naufrágios nas suas águas, a maioria perto da ilha da Boa Vista, onde será instalado um Núcleo de Arqueologia para receber boa parte do acervo arqueológico.

Segundo o presidente do Instituto do Património Cultural (IPC) de Cabo Verde, Jair Fernandes, a escolha de São Vicente para a apresentação do projeto Margullar2 não foi por acaso, pois estão na ilha grande parte dos intervenientes que estiveram na Conferência dos Oceanos, em Lisboa, e pelo Museu do Mar se situar nessa ilha.

Temos aqui todos os intervenientes ligados ao mar [organizações, pessoas da área], daí tentar ligar esta nova temática ao mar. Cabo Verde tem cerca de 150 naufrágios ocorridos aqui e foi graças ao Margullar1 que permitiu identificar todos esses recursos”, sublinhou.

A fazer fé na fonte referida, o resultado do Margullar1 foi a publicado no livro “Memória em Pedra” e permitiu um olhar sobre o património subaquático e contar a história do país.

Também foi no âmbito da implementação do pacote do Margullar1 que se criou a comissão para a salvaguarda do património subaquático de Cabo Verde que implica não só o IPC, mas todas as instituições que têm a temática do mar. Em Cabo Verde a maior parte do território é mar e nós temos uma grande riqueza que tem a ver com os recursos marinhos, mas também os testemunhos que estão no fundo do mar a nível da arqueologia subaquática e que testemunham a importância que Cabo Verde teve na ligação entre os continentes, nas trocas comerciais a partir do século XV”, frisou a diretora dos museus.

Em novembro de 2021, durante a apresentação do projeto para Cabo Verde, no “I Congresso da Arqueologia Subaquática da Macaronésia”, que decorreu nas Canárias, o presidente do IPC disse que o país está a preparar a sua inclusão nas rotas do turismo do património subaquático e para isso já formou técnicos e parceiros, sensibilizou comunidades e inventariou o património.

Temos estado a desenvolver todo um trabalho de formação, de sensibilização, de catalogação e inventariação desses bens antes da sua promoção enquanto ativo turístico”, disse Jair Fernandes, para quem a primeira ação vai ser a inclusão do país nas rotas do turismo património subaquático da Macaronésia, para depois ser a nível mundial, conclui a Lusa citada pela Visão.

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