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UM OLHAR SOBRE AS ALDEIAS DE SANTO ANTÃO:JOÃO AFONSO E SEUS ENCANTOS 12 Junho 2022

Conforme se pode ver (fotos), João Afonso possui uma linda paisagem exuberante, de gente afável, simpática e muita acolhedora.
Por: Daniel Miranda

UM OLHAR SOBRE AS ALDEIAS DE SANTO ANTÃO:JOÃO AFONSO E SEUS ENCANTOS

Nesta edição, vamos descobrir a aldeia de João Afonso, os seus encantos e as suas dificuldades. É uma das aldeias do concelho da Ribeira Grande de Santo Antão, que fica entre Figueiral e Chã-de-Pedras.

Pode-se aceder à mesma através da povoação do Cocolí, via Figueiral ou pela ligação recente a partir de Boca de João Afonso mediante a via de Chã-de- Pedras por automóveis. Há também três trilhos: para Chã-de-Pedras, para o planalto de Corda ou de Leste e para a zona de Lagoa, que é muita apreciada por turistas.

Conforme se pode ver(fotos), João Afonso possui uma linda paisagem exuberante, de gente afável, simpática e muita acolhedora.

Na zona de Manuel Ribeiro está um posto de Ensino Básico que serve para a educação das crianças dessa aldeia. Já o ensino secundário é ministrado na povoação do Cocolí, que dista cerca de oito quilómetros da aldeia.

Águas minerais e agricultura

João Afonso dispõe de fortes potencialidades. Na localidade de Ribeira de Dentro se encontram as águas minerais: a água alcalina e férrea. Nos anos cinquenta / sessenta a água alcalina era engarrafada em Santa Barba do Sr Manuel Lopes da Silva, na margem esquerda da cidade da Ribeira Grande, e exportada para outras ilhas de Cabo Verde. Infelizmente essa actividade foi interrompida.

Toda a vida local está ligada à agricultura. Mas João Afonso sonha por dias melhores, já que dispõe de um bom clima e de solo arável propício para a prática da agricultura.

Urge avançar com um plano de formação e capacitação, visando introduzir novas tecnologias de produção. Tudo com o objectivo de melhor a produção agrícola, tendo por base a sensibilização dos agricultores em diversificá-la, para que possam abandonar voluntariamente a monocultura da cana sacarina. Em sítios com certa quantidade de água pode-se estimular a introdução de cultura de tubérculos e horticulturas. Ela produz também a batata-doce, a batata comum, a mandioca, a banana, o inhame, o feijão, o milho, entre outros produtos.

Fruticultura e café

Mas as riquezas de João Afonso não ficam por aí. A fruticultura merece uma maior atenção dos residentes. É que por vezes produz frutas em abundância, mas o pouco escoamento desses produtos não estimula a sua expansão. Produz nomeadamente a maçã, a goiaba, a papaia e manga. E com a enxertia da mangueira pode-se aumentar a produção e resistir assim as pragas, segundo entendidos na matéria.

Contudo alguns agricultores interrogam: O que vamos fazer com o excesso de produtos, já que não há exportação? E a resposta fica no ar!

A aldeia é também um produtor de café, isto devido ao seu microclima. O alargamento do seu cultivo (café), pode constitiuir uma mais-valia para essa zona.

Pecuária e êxodo rural

A pecuária em João Afonso é pouca desenvolvida. Tudo devido a vários factores como financeiros e carências de pastos - a ração por vezes escasseia nos mercados para alimentar os animais, salvo alguma criação no âmbito familiar, a base de muitos sacrifícios para aumentar rendimentos e atenuar as dificuldades económicas.

O êxodo rural é muito acentuado na aldeia. Os jovens ao atingirem a maior idade abandonam a localidade, principalmente as meninas, à procura de uma vida melhor.
Para combater este fenómeno nesta e noutras localidades, torna-se necessária desenvolver uma agricultura moderna - o de rendimento, gerando assim o emprego. Se houver algum incentivo aos agricultores, nomeadamente na obtenção de algum apoio, como é feito
noutras localidades por parte das entidades competentes, pode-se mitigar o êxodo e fixar pessoas nos seus locais de nascimento.

Porém, para dar esse salto quantitativo e qualitativo é necessário que haja uma vontade política para a tomada de medidas como:

  • 1.º - A revogação da lei que bloqueia o escoamento dos produtos agrícolas para outras ilhas, excepto para S. Vicente, visto que a praga dos mil pés se circunscreve somente nessa ilha e não está em todas as regiões, segundo os técnicos da área;
  • 2.º - Aconselhamento e formação aos agricultores, assistência técnica e acompanhamento dos mesmos pelo pessoal técnico;
  • 3.º - Fornecimento de material para o novo sistema de rega gota-a-gota ou outro meio moderno de irrigação;
  • 4.º - Concessão de micro-crédito ou crédito a fundo perdido, consoante os casos, para que possam abandonar o antigo sistema de rega por alagamento, que é um desperdício de água esta escassear-se de ano para ano, devido aos longos períodos de seca.

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