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UNICEF: Pobreza infantil vai manter-se elevada durante cinco anos 13 Dezembro 2020

A pobreza infantil vai permanecer acima dos níveis registados antes do aparecimento da Covid-19 durante,, pelo menos cinco anos nos países mais ricos, alertou esta sexta-feira, 11, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), defendendo um maior apoio direto às crianças.

UNICEF: Pobreza infantil vai manter-se elevada durante cinco anos

Segundo um relatório divulgado esta sexta-feira pelo Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância, a ajuda financeira atribuída pelos governos na primeira vaga da doença para combater a crise provocada pelos efeitos da pandemia tem sido destinada sobretudo às empresas e apenas 2% foi dirigida às crianças.

“Por isso, a UNICEF faz um apelo a um maior equilíbrio das despesas de forma a garantir um apoio mais direto às crianças no relatório "Apoios às Famílias e às Crianças Além da Covid-19: Proteção Social nos Países Mais Ricos", escreve a Lusa.

O documento, produzido pelo Centro de Investigação da UNICEF, o Innocenti, conclui que 90% dos apoios financeiros foram dirigidos a empresas, tendo sido atribuídos, entre fevereiro e o final de julho, o "valor histórico" de 10,8 mil milhões de dólares. Este valor, destinado a financiar a resposta à Covid-19 nos países desenvolvidos, foi atribuído através de pacotes de apoio fiscal dirigidos a empresas.

"Embora sejam essenciais na resposta à crise, os apoios às empresas vão, inevitavelmente, excluir as crianças mais marginalizadas e as suas famílias, o que significa que as crianças que estão numa situação pior serão as mais afetadas", refere a organização no relatório, citado pela Lusa.

Esta organização internacional sublinha ainda, ser “imprescindível um maior equilíbrio" dos apoios, para beneficiar as crianças, referindo que cerca de um terço dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e da União Europeia (UE) não implementaram quaisquer políticas de apoio às crianças no âmbito da resposta à primeira vaga da pandemia.

Conforme escreve a Lusa, para a UNICEF, estas medidas de curto prazo são "completamente inadequadas" para enfrentar a duração estimada da crise e os riscos de pobreza infantil a longo prazo e, por isso, lança algumas recomendações. “É preciso aumentar as despesas de proteção social para proteger as crianças até porque com o tempo, passará a haver uma procura maior por intervenções sociais mais intensivas", cita a fonte, acrescentando que além disso, a UNICEF considera que é necessário flexibilizar os critérios de elegibilidade para as políticas familiares existentes para permitir a todas as famílias vulneráveis com crianças (famílias desempregadas, pessoas no limiar da pobreza e migrantes) o acesso aos benefícios.

As respostas de proteção civil também devem ser diversificadas durante a covid-19, adianta a organização, propondo reforços na "alimentação escolar e/ou serviços de substituição, nos cuidados infantis, nos cuidados de saúde e nos perdões de dívida em serviços básicos, arrendamento e/ou hipotecas"

A UNICEF defende que o período após a crise mais direta da Covid-19 também deve ser alvo de preparação, considerando que a resposta à pandemia deve integrar políticas familiares inclusivas, concebidas especificamente, para proteger as crianças da pobreza, e melhorar o bem-estar de todas as crianças.

A agência da ONU pretende ainda que sejam mantidos os apoios às empresas, mas que passem a incluir "condições que procurem promover o investimento público equitativo e amigo das famílias", dando como exemplo, a regulação das licenças e as condições de trabalho dos pais.

É ainda necessário, adianta o relatório, "proteger os benefícios e serviços existentes, para crianças e famílias, da austeridade - cujo impacto tende a aumentar a violência, as situações de sem-abrigo, problemas de saúde e a institucionalização de crianças. Por fim, a UNICEF apela a que se olhe para o longo prazo e reforce os sistemas de proteção social e as políticas que combatam a pobreza de crianças e famílias, para diminuir o impacto de possíveis crises futuras”, escreve a nossa fonte.

"Estamos a incentivar os governos a reforçar a proteção social das crianças, juntamente com o apoio às empresas", afirmou a diretora do Gabinete de Investigação da Unicef-Innocenti, GunillaOlsson.

Temos de ter "políticas mais fortes, centradas na família, [que] devem incluir uma combinação de apoio incondicional ao rendimento das famílias mais pobres, subsídios de alimentação, cuidados infantis e serviços básicos e perdão de dívidas de longo prazo, tanto no arrendamento como em hipotecas", concluiu.

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