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Ucrânia: Médico indiano pede ajuda para salvar jaguar e leopardo "felinos de estimação" 19 Outubro 2022

O apelo à embaixada indiana em Kiev deu em nada: "Disseram-me que não lidam com animais selvagens". Mas o médico Gidikumar Patil, de 42 anos, insiste junto do governo de Modi para o ajudar a salvar "os gatos" que estão em risco no país em guerra : "Podem levá-los para o zoo ou floresta na Índia — tudo, menos a guerra".

Ucrânia: Médico indiano  pede ajuda para salvar jaguar e leopardo

O médico ortopedista Gidikumar Patil emigrou da Índia para a Ucrânia, cuja nacionalidade obteve em 2016.

A trabalhar num hospital da cidade de Svavtove-Severodonetsk, em Lugansk comprou há quase dois anos os felinos a um jardim zoológico em Kiev e levou-os para a sua casa.

Tudo corria bem na família formada entre Gidi e os animais de estimação. Até que veio a guerra. A casa tornou-se alvo de bombardeamentos e a Patil só restou ocupar a cave.

Tornou-se insuportável essa vida e decidiu entregar os felinos a um casal de camponeses contra pagamento. Em todas as folgas podia estar com os seus animais de estimação.

Mas quando o hospital bombardeado deixou de funcionar, Patil ficou sem emprego. Recorreu então à embaixada indiana e a resposta foi dececionante. "Disseram-me que não lidam com animais selvagens".

Insistiu junto do governo de Modi para o ajudar a salvar "os gatos", alegando que estão em risco no país em guerra. Sugeriu mesmo que "podem levá-los para o zoo ou floresta na Índia — tudo, menos a guerra". Não obteve resposta.

Sem emprego, teve de vender parte dum terreno, a casa e um apartamento e dois carros por cem mil dólares (11 mil contos). Parte desse dinheiro, ficou com os cuidadores dos felinos, que os alimentam com cinco quilos de carne de galinha por dia.

Patil pôs-se a caminho da Polónia, a pensar que podia encontrar um emprego para se sustentar e continuar a pagar aos cuidadores dos seus felinos. Mas foi interceptado por tropas russas que o levaram preso, de olhos vendados.

Esteve três dias preso num subterrâneo onde o interrogaram como suspeito de ser um espião pró-ucraniano. Só ao terceiro dia, o oficial lhe disse que podia ir livre porque a esposa o tinha esclarecido que Patil tinha um canal no YouTube sobre felinos de que ela gostava. Logo, ele não podia ser espião pois era um amigo de felinos.

Em outubro, Patil está na Polónia com um visto de 90 dias. Sem trabalho, vive do dinheiro que a família lhe manda da Índia, e que reparte com os seus felinos. Mas sente que não vai conseguir aguentar por mais tempo.

"O cuidador diz que os animais sentem a minha falta. Sem me verem durante uma semana, comeram muito mal, parecem desorientados".

Em Varsóvia, Patil confessa estar também desorientado: "Quero salvá-los e tirá-los da Ucrânia, mas não sei como fazer", disse à BBC pelo telefone.

Fonte: BBC/Times of India.

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