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Último resto mortal de Patrice Lumumba, um único dente, regressará à família 24 Maio 2021

Cerca de 60 anos após líder da independência congolesa Patrice Lumumba ter sido assassinado e dissolvido em ácido, a Bélgica está prestes a restaurar o último resto mortal - um único dente - à sua família.

Último resto mortal de Patrice Lumumba, um único dente, regressará à família

A cerimónia de entrega do último resto mortal de Patrice Lumumba lançará um período de luto oficial, durante o qual os dois países - Bélgica e República Democrática do Congo (RDC) - olharão para o seu conturbado passado.

Numa entrevista à agência AFP em Bruxelas, François e Roland Lumumba, 69 e 63 anos, respetivamente, explicaram como tinham viajado para tomar providências e fixar datas para os eventos na capital belga para relembrar o seu pai.

A Bélgica, que controlou um vasto território da África Central, como Congo belga, vai finalmente devolver o dente que considera ser o último resto humano de Patrice Lumumba, assassinado em 1961.

Sabe-se agora que foi morto a 17 de janeiro por separatistas e mercenários belgas na província separatista do Katanga, durante o conturbado período que se seguiu à declaração de independência do território, em 1960.

Percebido em Washington e Bruxelas como um potencial "amigo da União Soviética", o então primeiro-ministro da jovem república foi visto como uma vítima das rivalidades da Guerra Fria.

"Relíquia guardada"

Depois de ter sido baleado, o seu corpo foi dissolvido em ácido, mas a Bélgica recuperou agora um dente que aparentemente foi guardado como lembrança por um comissário de polícia que participou na eliminação dos restos mortais.

Esta "relíquia" será agora devolvida à família e posta a descansar após uma série de "funerais nacionais" na sua terra natal.

"Para nós, este é o seu corpo, significa muito para nós", disse Roland Lumumba, o terceiro dos filhos do falecido Lumumba, após François e a filha Juliana, que no ano passado escreveu ao rei dos belgas para pedir o dente.

"Como africanos, não poderíamos acabar com o nosso luto sem uma parte dos seus restos mortais entre nós. Chegamos ao fim de uma disputa legal que durou 60 anos, e estamos satisfeitos", disse, "é um conforto, uma nova página foi virada", disse François.

Espera-se que cerimónias também se realizem a 21 e 22 de junho, em Bruxelas. Os irmãos planeiam um primeiro evento para receber os restos mortais dos funcionários belgas e, no dia seguinte, uma cerimónia oficial congolesa, provavelmente com a presença do actual Presidente congolês, Felix Tshisekedi.

Demokratische Republik Kongo | Zeremonie zum 60. Jahrestag der Ermordung von Patrice Lumumba
Felix Tshisekedi durante cerimónia de homenagem aos 60 anos da morte de Patrice Lumumba.

A família espera também poder exibir um caixão drapeado na bandeira congolesa em público em Bruxelas, para que os congoleses e as comunidades africanas em geral prestem os seus respeitos antes do regresso.

François disse que a família e as autoridades belgas tinham sido capazes de "harmonizar pontos de vista" sobre como as coisas deveriam correr, mas duas fontes oficiais belgas afirmaram que ainda há alguma incerteza quanto às datas.

Devolução antes de 30 de Junho

Outro funcionário belga confirmou, contudo, que se espera que uma delegação congolesa em Bruxelas receba o dente e que tal deverá ter lugar antes de 30 de junho, quando está prevista uma cerimónia em honra de Lumumba, em Kinshasa.

Tshisekedi afirmou estar a planear um mausoléu de homenagem na capital da RDC para Lumumba, que serviu como o primeiro primeiro-ministro. A história do envolvimento da Bélgica no Congo antes e depois da independência permaneceu controversa, mas um inquérito parlamentar de 2000 e 2001 concluiu que o país tinha "responsabilidade moral" pelo assassinato de Lumumba.

Em 2002, o Governo belga pediu desculpa ao país e nos últimos dez anos tem havido uma investigação judicial activa por um alegado "crime de guerra" baseado numa queixa do filho mais velho, François.

Segundo o advogado dos irmãos Christophe Marchand, a investigação está a chegar ao fim e o plano é ter uma primeira audiência antes do final do ano perante um órgão judicial que possa encaminhar o caso para um possível julgamento.

"Pouco a pouco, a Bélgica está a enfrentar o seu passado colonial muito doloroso e criminoso e está a tomar medidas", disse o advogado. Fonte: AFP

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