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Ilha do Sal: Salenses indignados com condições e nível de atendimento nos cuidados de saúde pública 26 Agosto 2018

Está a ser notícia que nem tudo vai bem no tocante ao atendimento dos doentes no Sal. É que um grupo de cidadãos na ilha denuncia estar preocupado com as condições que vêm sendo dispensadas em relação aos cuidados de saúde pública, particularmente nos serviços de urgências. Por isso, os munícipes referidos apelam ao Governo para prestar uma melhor atenção aos problemas em causa.

Ilha do Sal: Salenses indignados com condições e nível de atendimento nos cuidados de saúde pública

Conforme revelaram os que procuraram a Inforpress para manifestarem esse “desabafo”, os munícipes estão já cansados de tantas reclamações no sentido de se verem melhoradas as condições de saúde na ilha “que se diz” mais turística do país, mas que são ignoradas, “já que, entra ano sai ano, as coisas caminham para o pior”.

“Nós não podemos continuar com estas queixas que têm impacto negativo na qualidade de vida das pessoas, levando outras à morte. Com a saúde não se brinca, mas aqui no Sal está-se a marimbar”, desabafou Arlindo Mendes, que disse ter sido “malcuidado” no hospital.

Segundo a mesma fonte, também descontente com a atenção que os técnicos de saúde dão aos doentes, Nereida conta que levou a sua filha de oito meses ao banco de urgência às 10:00, com febre, diarreia e vómito, tendo sido atendida só por volta da 13:00, pela enfermeira que, entretanto, apenas lhe estendeu um “pacotinho de oralite de 30 escudos”, mandando-lhe embora.

“Que casta de gente está a trabalhar no hospital. Não estão no lugar certo, alguns devem ter escolhido profissão errada. Porque trabalhar nesta área, requer humildade, vocação para servir com amor, diminuir o sofrimento dos outros e salvar vidas. Mas no hospital do Sal, se estão a dormir ou a ver telenovela… os pacientes é que têm que esperar. Onde estamos e para onde vamos”, questionou, lamentando.

Outra miúda que não quis que o seu nome fosse revelado, conta que foi às urgências com dor na garganta, tendo sido observada por uma enfermeira, com a luz do telemóvel.

“E foi me prescrito um medicamento que já saiu há muito tempo do mercado, segundo me disseram na farmácia. O atendimento no hospital do Sal tem de melhorar, não satisfaz, a população local. A gente vai porque não há remédio. Nem todo o mundo tem dinheiro para ir às clínicas privadas. Quem vai ao Hospital do Sal está a antecipar a sua morte…. É que brincam com a vida das pessoas”, exteriorizou.

“A falta de atenção nos serviços de urgência, é gritante. Muitas vezes os pacientes nem chegam a ser vistos, examinados pelo médico, entretanto, vem o enfermeiro munido de uma receita com a prescrição de “Paracetamol ou Ibuprofeno”, contam outros, criticando tal situação.

Apontando a falta de médicos, e há algum tempo sem atendimento especializado de pediatria, por exemplo, “necessidade imprescindível”, além de outras valências, uns e outros entendem que a população salense está mal servida a nível dos cuidados de saúde pública.

Perante a situação, esses cidadãos apelam ao Governo, ao ministro Arlindo do Rosário, que tutela a pasta da Saúde, para prestarem uma melhor atenção à ilha, principalmente no sentido de se criar condições tanto a nível de recursos humanos como de equipamentos a nível da ilha.

Director do Hospital reage

Confrontado com essas acusações, o director do Hospital Ramiro Alves, Hélder Almada admite, prossegue a Inforpress, haver reclamações nos serviços do banco de urgência dado ao tempo de espera provocado pela grande demanda, contra o número reduzido de médicos. Reconhece, ao mesmo tempo, que a nível da saúde pública há um caminho a percorrer no que respeita à humanização no atendimento.

Por outro lado, considerou “normal” o enfermeiro observar um paciente, já que tem que fazer a triagem antes de passar para o médico e sublinhou “não ver gravidade” em uma pessoa ser examinada com a ajuda de uma lanterna do telemóvel.

Perante essas queixas, o Director Helder mostrou-se disponível para mais esclarecimentos, destas e outras questões, numa conversa mais alargada na próxima semana.

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