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COVID-19 em Cabo Verde: Uma média de 50 casos por dia e necessidade de se adotar uma verdadeira estratégia de luta contra doença 03 Julho 2020

Um perito em análise estatística e económica procurou o jornal a A Semana para alertar que é tempo de Cabo Verde dispor de uma verdadeira estratégia de luta contra novo coronavírus no país. Em documento remetido a este jornal, a fonte fez conta com base nos dados oficiais e concluiu que há um aumento significativo da propagação da doença nas últimas duas semanas no país, com uma média de 50,7 casos por dia, até hoje, 3 de Julho.

COVID-19 em Cabo Verde: Uma média de 50 casos por dia e necessidade  de se adotar uma verdadeira estratégia de luta contra doença

O documento lembrou que a União Europeia(UE) publicou, no dia 30 de Junho, a lista dos 15 países, cujos cidadãos poderão viajar para o espaço Schengen com base na situação sanitária dos seus países de origem – países cuja situação epidemiológica é julgada parecida ou melhor que a da UE, onde houve um recuo da pandemia. « Cabo Verde, pequeno país com um pouco mais de 1.300 casos e parceiro estratégico da União Europeia, não consta da referida lista. Hoje, ou seja 3 dias depois da comunicação da UE, o número de casos em Cabo Verde, passou para 1382, representando um aumento de quase 10 % em 3 dias».

A mesma fonte referiu que na semana passada, uma revista internacional, no seu balanço semanal da evolução da pandemia no continente africano, incorporou Cabo Verde na lista dos 5 países com o mais alto nível de contágio por habitante, juntamente com a África do Sul, Djibouti, Gabão e São Tomé e Príncipe.

«Essa situação contrasta com as comunicações no país, onde a comissão de luta contra o Covid-19, encabeçada pelo Ministério da Saúde, clama diariamente o controlo da pandemia. As últimas comunicações dessa comissão não ajudam compreender corretamente a evolução da doença no país. Com efeito, o saldo dos doentes ativos tornou-se a informação central da comunicação, positivos ou negativos, eclipsando o nível de contágios diários, números esses alarmantes, isto considerando a população de Cabo Verde. Fora dos saldos, quando o número de contágios é muito elevado, os dados são desagregados e é apresentado, números por concelho. Tudo isso, não ajuda as pessoas a tomar consciência da gravidade da situação de contágio no país», contestou o autor do documento.

Para a mesma fonte, essa estratégia do governo pode estar errada e servir para a manipulação dos dados relativos à pandeia de Covid/19 em Cabo Verde. «A estratégia de comunicação da Direção Nacional de Saúde (DNS), em apresentar os saldos de doentes ativos, não é mais que uma manipulação para desviar a atenção dos Cabo-Verdianos perante a gravidade da situação, podendo implicitamente constituir um ato de reconhecimento evidente de fracasso no processo da luta contra a pandemia de novo coronavírus no país», fundamentou.

Aliás, Cabo Verde é o único país a insistir no saldo, em vez de apresentar a evolução da pandemia a partir do número de contágios diários e dos óbitos. «Com efeito, o saldo não significa nada em relação a evolução da doença e o sucesso ou não da estratégia adotada», sustentou.

Conforme o analista citado, um outro elemento que os saldos podem esconder é, de um lado, um número elevado de contágios num dia e, por outro, um número ainda mais elevado de doentes recuperados. «O saldo positivo nessa situação poderá esconder o pico da doença no país», advertiu.

O documento fez questão de realçar que em Cabo Verde, devido à idade média da população, os doentes são, em maioria, assintomáticos e não exerçam nenhuma pressão sobre o sistema de saúde, como foi verificado na Itália, na Espanha, em França, nos EUA e no Brasil, isto com a saturação do sistema de saúde e elevada cargas horárias para o pessoal de saúde, apelidados de tropas e encorajados e celebrados diariamente nos países europeus. «O saldo, a partir de um certo limite, traduz a pressão sobre o sistema de saúde, nomeadamente nos hospitais e particularmente, quando os doentes necessitam de cuidados intensivos (ventilador)», lê-se no documento a que este jornal teve acesso.

Posição pouco favorável entre países insulares

Considerou que o resultado esperado num processo de luta contra uma pandemia é a redução diária dos casos de contágios para se chegar a eliminação da pandemia. Admitiu Admitiu que os doentes representam custos elevados para os cofres do Estado, para o tratamento dos doentes. «Para Cabo Verde, qualquer estratégia deverá ter como ponto principal a redução dos contágios, com a eliminação da pandemia, em vez de assistir ao seu alastramento da doença para todas as ilhas», acrescentou.

O analista ouvido por este jornal advertiu que temos por hábito comparar Cabo Verde com os países africanos de sucesso e com bom desempenho a nível político e económico. A pensar nisso, avaliou a situação nas Maurícias e no Seychelles, países ilhas e arquipélagos como Cabo Verde (situação em 03/07/2020), com populações de características similares a nossa e com o turismo como atividade principal.

Apresentou os seguintes dados a extrapolar e tirar alguns ensinamentos: Cabo Verde, com uma população de aproximadamente 543.767 habitantes, tem 1382 casos de covid19 (até hoje,03/06) e 15 óbitos. Já o seu congénere Ilhas Maurícias conta com 1.265.000 habitantes, soma 341 doentes de covid19 e 10 mortes. Seychelles dispõe de 96.762, 81 doentes e zero casos de morte.

«Cabo Verde fica, assim, longe, em termos de luta contra o Covid-19 em relação a essas duas ilhas. A evolução dos números e o alastramento da doença para todas as ilhas, preocupam os cabo-verdianos, quando temos ainda as nossas fronteiras fechadas», concluiu o autor do documento que vimos citando.

Este advertiu, porém, que a situação da pandemia Covid-19 tornou-se mesmo complicada em Cabo Verde, com cerca de 425 pessoas infetadas na semana epidemiológica (22-28 de Junho), sendo um pico de 64 casos/dia verificado 2 vezes (27 e 28 de Junho) e 62 casos, no dia 30 de Junho, e agora 81, hoje dia 3.
A mesma fonte analisou os casos de contágios registados nos últimos 7 dias ( de 27 de Março a 3 de Junho), com os seguintes casos (nºs entre parênteses) diários: 27 (64) 28 (64), 29 (10), 30 (62), 01 (40), 02(34) e 03 (81). Com isso, concluiu que há uma média de 50,7 casos de contaminação por dia.

Necessidade de mudança da estratégia

«Diante dos resultados atuais, esperamos das Autoridades uma mudança da estratégia (caso exista uma), visto que a estratégia adotada até agora não está a resultar, com a agravante de se ver agora mais casos de transmissão comunitária», criticou a mesma fonte, interrogando porque a estratégia atual não se inspirou na experiência do país nas lutas anteriores contra o paludismo, dengue, entre outras doenças.

O documento que vimos citando defendeu ainda que a comunicação diária do DNS, deve ter um impacto mobilizador, em vez de procurar banalizar a situação com a apresentação dos saldos positivos e de garantia de controlo da situação. «Com os últimos dados, é claro que não temos controlo sobre a situação e devemos insistir ainda mais na sensibilização das populações, principalmente os jovens, que pelo fato de não fazerem parte dos grupos de riscos, não devem desprezar e abdicar o seguimento das orientações das Autoridades de saúde, visto que ninguém sabe das sequelas da doença», aconselhou.

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