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VBG tem solução: "Ponham os homens a fazer trabalhos domésticos", diz iniciativa de sucesso 28 Novembro 2018

A reportagem da BBC, desta segunda-feira, mostra a conversão de Jean-Pierre Muhoza, de 32 anos, que batia na mulher com quem se casou há dez anos. "Fazia o que vi o meu pai fazer".

VBG tem solução:

"Segui o exemplo do meu pai. Se chegasse a casa e faltava fazer alguma coisa, insultava-a, dizia que era preguiçosa, inútil, que devia voltar para a casa dos pais".

Os abusos verbais e físicos acompanharam a maior parte da vida do casal de jovens, até que chegou o programa ’Bandebereho’ (marido exemplar, em língua Kinyarwanda), que ensinou a Muhoza como e porquê transformar-se.

O programa inclui aulas de cozinha e outras tarefas domésticas, mas também sessões em que discutem como e porquê devem desafiar os modelos masculinos tradicionais, que impedem os homens de participar plenamente na vida da sua família.

"Discutíamos se um homem deve limpar a casa". No fim, a resposta era "sim".

Mas quando «perguntavam qual de nós fazia isso, a resposta era "ninguém!"».

’Homem que é homem não cozinha’

Os preconceitos foram discutidos no ’Bandebereho’ e hoje Muhoza orgulha-se de fazer tarefas que foi ensinado a vida toda que eram exclusivas da mulher.

"Íamos para casa pôr em prática o que aprendíamos no curso". De volta ao curso, os formadores avaliavam os progressos observados entre os homens dessa comunidade de Mwulire, na intara (província) Leste do Ruanda. As cinco intaras (províncias) atuais, desde 2002, também resultam de uma transformação das anteriores doze perefegituras (do francês préfecture=prefeitura). Essa mudança foi despoletada no pós-genocídio, quando estudos mostraram que a coesão nacional fraca, devida à força das divisões étnicas, tinha sido um fator importante na guerra civil e no genocídio de 1994.


Sucesso do programa


Em fins de 2018, dois anos depois de implementado o projeto, um estudo concluiu que, na maior parte dos casos, dois em cada três homens, tinham abandonado o comportamento violento que dantes mantinham contra a esposa.

Isso representa um avanço num país onde 52% dos homens confessaram ter batido na mulher, segundo o serviço nacional de estatística, INA-Ruanda.

Fidele Rutayisire, presidente do Centro da Equidade, explicou à reportagem: "Nós ainda temos normas sociais negativas, decorrentes de perceções, barreiras sociais e culturais, que estão na base da violência contra as mulheres no Ruanda".

"O homem tradicional não toma conta dos filhos. Os homens controlam tudo: como vão ser usados os recursos do casal, como e quando vai ser a relação sexual, decidem tudo".

O programa implementado na aldeia transformou essas perceções negativas da masculinidade. "Os homens que se envolveram nos cuidados aos filhos passam a ter uma nova atitude, positiva na sua relação com a mulher, pois entendem melhor o valor da igualdade" entre os sexos, conclui Fidele Rutayisire.

O casal Delphine e Jean-Pierre Muhoza concordam que o programa os ajudou muito e testemunharam que a aldeia agora quer seguir os passos deles.

"Agora estamos em lua-de-mel, dez anos depois da festa de casamento", disse Muhoza à reportagem da BBC, cujo vídeo está online.

E os efeitos estendem-se à aldeia onde sempre viveram: "Sempre que há um conflito na vizinhança, pedem os nossos conselhos porque veem que não temos mais problemas na nossa casa".

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