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VIH/Sida: Rede Nacional de Pessoas Portadoras quer trabalhar no combate ao “elevado preconceito” na família 07 Junho 2022

A Rede Nacional de Pessoas que vivem com VIH/Sida em Cabo Verde avançou que irá implementar nos próximos tempos um plano de atividades visando combater o “elevado preconceito” que as portadoras desta doença enfrentam no seio familiar.

VIH/Sida: Rede Nacional de Pessoas Portadoras quer trabalhar no combate ao “elevado preconceito” na família

Esta informação foi avançada pela presidente da Rede Nacional de Pessoas que vivem com VIH/Sida em Cabo Verde, Josefa Rodrigues, em declarações à Inforpress, tendo adiantado que a rede conta neste momento com a integração de 230 membros efectivos, mas que cerca de 120 membros frequentam regularmente a organização.

Desde a sua criação, realçou, a rede tem trabalhado na promoção dos direitos humanos dos seus membros e familiares, referindo que para a realização das actividades a Rede de Pessoas que Vivem com o VIH/Sida conta com a colaboração de psicóloga, assistente social, educadora de par, serviço administrativo e colaborador do gabinete de comunicação e informação.

Josefa Rodrigues considerou ser importante que as pessoas saibam que mesmo estando elas com o VIH podem levar uma vida tranquila, desde que tomem os medicamentos e sigam todas as indicações dos profissionais de saúde.

Lamentou o facto de as pessoas portadoras do vírus serem ainda vítimas do preconceito em Cabo Verde, principalmente na família, pelo que, indicou, a rede estabeleceu no plano de actividades a necessidade de implementar estratégias visando promover acções de sensibilização sobre esta questão.

“As pessoas quando descobrem que são portadoras do vírus, nos procuram e quando chegam aqui a autoestima delas está muito baixa, estão numa fase difícil porque sentem na pele o preconceito que ainda é muito elevado em Cabo Verde e este preconceito é sentido principalmente na família, o que é muito triste”, declarou.

Destacou, neste sentido, o “importante papel” que a família desempenha neste processo, prestando apoio ao portador do vírus e auxiliando em todos os momentos, reforçando que o “preconceito dói” e muitas pessoas não morrem da doença, mas sim desse preconceito e com o facto de se sentirem rejeitadas pela própria família.

“Queremos através desse plano trabalhar directamente com as famílias das pessoas portadoras do VIH, enquanto agentes do terreno. Eu por exemplo vivo com VIH, mas tenho todo o suporte a apoio da minha família e isso é importante porque sabemos que todos os dias não são iguais, precisamos do apoio para ir as consultas, fazer os exames, tomar os medicamentos regularmente, enfim precisamos da nossa família”, afirmou.

A pandemia da covid-19, segundo esta responsável, trouxe “enormes constrangimentos e desafios” às pessoas que vivem com o VIH, tendo neste sentido apontado a melhoria de condição de vida e das suas famílias e no empoderamento das mesmas como desafios a serem ultrapassados.

Acrescentou ainda que a rede quer trabalhar na sensibilização dos homens portadores do vírus para a realização de testes e que aderiram à rede, isto porque, justificou, os homens “escondem-se da sociedade e ficam em silêncio”.

Umas obrigações da rede, concluiu a presidente, é ajudar todas as pessoas infectadas pelo vírus de Sida, orientá-los a seguir todas as prescrições medica, ter um atendimento psicossocial, encaminhá-las para instituições quando necessitam de outras intervenções sociais.

A Rede Nacional de Pessoas que Vivem com o VIH/Sida é uma organização sem fins lucrativos e foi fundada em 2011, em assembleia constituinte.

Tem como objectivo reforçar e estreitar parcerias com as diversas estruturas de saúde, instituições públicas e a sociedade civil em Cabo Verde por forma a promover o aumento e divulgação de informação sobre o vírus bem como o reforço no combate ao estigma e discriminação contra as pessoas portadoras do vírus.

A Semana com Inforpress

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