OPINIÃO

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VIOLAÇÃO: DENÚNCIAS FALSAS CRIMINOSAS 04 Janeiro 2022

Eu sou para a minha irmã uma verdadeira mãe. Eu é que trato dela praticamente desde que nasceu, eu é que a lavo ou lhe dou banho todos os dias, inclusive no dia 3 de julho, enfim, eu é que cuido dela como mãe.

Por:Cíntia Barros

 VIOLAÇÃO: DENÚNCIAS FALSAS CRIMINOSAS

Eu sou Cíntia Barros, de 24 anos de idade, com o 12.º ano de instrução secundária, filha mais velha dum casal de seis filhos e resido em Achada de S. Filipe, Praia.
Sempre falo mal dos tribunais, como toda a gente, quando eles deixam escapar em liberdade um criminoso, especialmente quando for de violação de crianças. Eu só não defendo a pena de morte para alguns casos para evitar alguém ficar sem vida por erro da Justiça. Não porque certos casos não a mereciam.

Acredito que se a criminalidade continua em Cabo Verde no caminho que está seguir, até numa ilha que era pacata como a ilha do Sal e hoje dá impressão de igualar a capital, chegará um dia em que o povo pedirá para mudar a Constituição. Contudo, um acontecimento atual que vou contar está a reforçar a minha ideia contra a pena de morte.

Eu tenho uma irmã de 5 anos e prefiro não dizer o que eu faria se alguém a violasse. Seja quem for, mesmo que fosse um irmão.

Acontece que tem estado a circular que um meu irmão de 22 anos violou a nossa irmãzinha de 5 anos no dia 3 de julho deste ano. A televisão noticiou e a Polícia Judiciária postou na sua página que foi detido um suspeito de violação de menor de 5 anos no dia 17 de dezembro, o qual, ouvido no mesmo dia por um juiz, foi mandado em liberdade.

Não disseram o nome e pelo menos falaram de suspeito e não de criminoso, mas na minha zona toda a gente já sabe quem foi o “criminoso” e a “vítima”. E toda a gente estranha porque o meu irmão, que não bebe nem fuma nem anda em paródias, é conhecido como um trabalhador sério de bate-chapa.

Eu sou para a minha irmã uma verdadeira mãe. Eu é que trato dela praticamente desde que nasceu, eu é que a lavo ou lhe dou banho todos os dias, inclusive no dia 3 de julho, enfim, eu é que cuido dela como mãe.

Eu sei que a denúncia é falsa, é inventada e sei quem a inventou e quais razões perversas que estão atrás dessa invenção. Eu garanto que a minha irmã não foi tocada por ninguém e muito menos pelo meu irmão.

Como a Justiça não me chamou o meu pai deu o meu número de telefone ao ICCA, pois eu estava convencida de que bastava mostrar os meandros dessa invenção e tudo acabava ou tomava outro rumo e por certo o meu irmão nem seria perturbado.
Mas fiquei dececionada com a conversa quando notei que para eles a verdade não conta, não querem ouvir nada que possa perturbar a conclusão que houve violação (apesar de a minha irmã não apresentar nenhum sinal) e tudo o que conta é fazerem mais um número de estatística de crime e que o acusado seja logo preso sem mais conversa, para se poder dizer: “Bom trabalho”!

Estamos perante uma situação muito grave, num mundo com escravatura sexual, pornografia infantil, rapto de crianças, abuso sexual desenfreado. Os políticos têm de tomar medidas a sério, incluindo uma meditação acerca das próprias culpas do Estado nessa situação.

Mas é preciso muita cautela e responsabilidade. Atitudes como a da técnica do ICCA que falou comigo, em nada contribuem para melhorar a situação. Se o juiz libertou o meu irmão é porque não viu razão forte para concluir que ele cometeu o crime.
Não tenho dúvidas de que quando o processo avançar o juiz vai concluir, sem sombras de dúvida, que não foi cometido crime nenhum contra a minha irmã. Mas o que é preocupante é que esta conclusão talvez leve o juiz a exagerar na prudência num outro caso qualquer em que exista uma violação comprovada até no corpo da criança e algumas provas claras contra o suspeito.

Vítima (talvez vítima futura, pois de imediato nada entende e só repete o que se lhe martela nos ouvidos para dizer) é a criança minha irmã porque alguém usou o seu nome para atingir certos objetivos. Vítima também é meu irmão, acusado sem qualquer fundamento sério de violar a irmã. Mas pessoalmente o que me revolta é ver que, sendo eu quem cuida da minha irmã como mãe, estou a ser desprezada e ignorada vendo pessoas que nada sabem a comprovar a mentira.

Eis a pergunta que eu deixo para a meditação de todos: quem paga por uma vida destruída por causa de uma invenção qualquer? Não seria interessante saber quantas vidas já estarão destruídas neste país por esse tido de invenções feitas por pessoas más, estimuladas e apoiadas por entidades consideradas respeitáveis?
Os inocentes não podem pagar pela culpa da sociedade em que vivemos, dos delinquentes que ela produz e do Estado que nos comanda. Porque se assim for os criminosos tiram benefício dos erros cometidos em relação aos inocentes.

Afinal das contas felizmente que temos tribunais e juízes, com todos os erros que cometem, porque se fossem as organizações feministas ou certas psicólogas ligadas a casos de crimes sexuais a julgar esses crimes as cadeias estariam cheias de culpados, mas mais cheias ainda de inocentes com a vida destruída.

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