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França: Direita protege Sarkozy condenado à prisão efetiva 04 Mar�o 2021

O céu azul do primeiro de março afinal foi enganador. Pelo menos para os correligionários do conservador Sarkozy que atónitos assistiram ao inimaginável: a condenação do antigo presidente em quem a direita, encabeçada pelos LR-Les Républicains, deposita(va) a sua esperança de voltar ao Palácio do Eliseu em 2022.

França: Direita protege Sarkozy condenado à prisão efetiva

O Le monde refere que a "trovoada" surpreendeu toda a direita que esperava um futuro todo cristalino para Nicolas Sarkozy, primeiro em termos jurídicos. Ous seja, esperavam vê-lo sair ilibado das acusações que o tinham tornado habitué do tribunal penal de Paris, desde dezembro.

Esta segunda-feira representou o despertar violento para muitos dos que, ao longo das últimas semanas, incessantemente repetiam que "o processo não t[inha] pernas para andar".

Daí a "estupefacção" dos LR siderados diante do desfecho do processo em tribunal.

Contudo os apoiantes de Sarkozy evitam os ataques frontais ao sistema judicial, por mais desiludidos que estejam perante o estilhaçar das esperanças no futuro do seu correligionário político.

Apoio amigo

"Todos sabem o respeito e o afeto que sinto por Nicolas Sarkozy, que foi um grande presidente da República e que, neste momento difícil, tem todo o meu apoio de amigo", disse o ex-ministro da Administração Interna, Gérald Darmanin, que foi também mandatário da campanha para a primária da direita e centro de 2016.

"Eu, não me esqueço de tudo quanto ele fez pelo nosso país", rematou Darmanin interpelado pela comunicação social na segunfa-feira.

Gérald Moussa Darmanin, de origens modestas (pai argelino empregado de bar e mãe turca empregada de limpeza) foi, com 34 anos, um dos ministros mais jovens da história de França. Primeiro, na pasta das Finanças entre 17 maio de 2017 e 06 de julho de 2020.

Como ministro da Administração Interna foi comparado ao seu ídolo Sarkozy. Defensor da linha dura nas interpelações policiais, teve contudo de recuar como quando se deu o caso de violência policial no ’Dia da Tomada da Bastilha’, 14 de julho de 2020, oito dias depois de tomar posse, em 06 de julho último.

Diante das reações, inclusive dos seus colegas no gabinete Castex, Darmanin teve de "moderar o verbo" (onde se destacavam qualificativos aplicados aos suspeitos de crimes, como "sauvage/selvagem") tido como próximo da extrema-direita.

Indignação de desafetos políticos

O discurso de Darmanin suscitou de imediato a reação indignada do socialista Olivier Faure que tuìtou "Sem comentários" a acompanhar a partilha do vídeo na rede social.

"Nem abaixo nem acima da lei", legendou o secretário-geral do PS. A indignação assim expressa contrastou com o silêncio do mesmo Faure ao longo do processo do antigo presidente.

Por parte do partido EELV-Europe Ecologie-Les Verts (-Os Verdes), o líder Julien Bayou congratulou-se por "a justiça ter chegado à delinquência de colarinho branco", como disse ao microfone da emissora BFMTV. Bayrou voltou ao Twitter para prevenir a direita de que "[o réu] não pode atacar a justiça só porque o seu julgamento lhe foi desfavorável".

Entre os Verdes ainda, cita-se a reação do Edil de Grenoble, Eric Piolle, que — como destaca o Le Monde, esta terça-feira — não perdeu a ocasião para provocar Sarkozy citando a célebre máxima do seu tempo de ministro das polícias: "As condenações têm de ser executadas. A sua não-execução cria impunidade".

Fontes: Le Figaro/Le Monde. Relacionado: França: Ex-PR Sarkozy condenado a 3 anos por corrupção ativa, 02.mar.021. Foto (AP): Nicolas Sarkozy à saída do tribunal de Paris que o condenou à pena efetiva. É o segundo ex-presidente da V República condenado, depois de Jacques Chirac e único condenado a cumprir pena efetiva.

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