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Vacino-renitentes e ação do Estado pelo bem comum —"Itália está à frente na vacinação anti-Covid" 08 Janeiro 2021

As ciências da Saúde dizem-nos que a vacina pode salvar vidas e o Estado, através das estruturas adequadas, organiza a vacinação cumprindo o seu dever de promover o bem comum. Mas há muita gente que mostra resistência perante a vacinação: os vacino-resistentes motivados por fatores vários incluindo a desinformação, o desconhecimento ou a orientação maliciosa. O que faz o Estado?

Vacino-renitentes e ação do Estado pelo bem comum —

Nos países democráticos, a vacinação é uma decisão que compete ao indivíduo tomar. É com base nesse pressuposto constitucional que o Estado tem de funcionar. Vejamos a seguir alguns exemplos de respostas ao questionamento contido no título.

A resposta da Espanha em dezembro — quando ainda registava metade dos atuais 2.024.904 casos confirmados e 51.675 óbitos, o que coloca o país ibérico na 8ª posição dos casos confirmados e é 12º na taxa de letalidade que é de 1.105 — foi implementar, para o arranque do seu programa de vacinação, um Registo de Vacina/Registro de Vacuna que inclui os cidadãos que se recusarem a ser vacinados contra a Covid-19.

Segundo os estatutos desse registo — que terá consequências não só em Espanha mas em toda a União Europeia —, quem recusar a vacina anti-Covid terá de arcar com as consequências da sua decisão. Efeitos de cariz económico, social, no limite a morte daí decorrente...

A disseminação da informação, ou o "passaporte sanitário" estão incluídos na abordagem ponderada no Canadá, que regista hoje 633.067 casos confirmados e 16.544 óbitos. O país que está na 24ª posição dos casos confirmados e é 52º na taxa de letalidade que é de 436, pôs várias iniciativas em funcionamento desde outubro com o objetivo de esclarecer as dúvidas da população.

Um professor de bioética na universidade de Toronto em entrevista à CTV.ca destacou o papel do Estado, entre "o direito de cada um decidir, afinal trata-se do seu corpo" e "a questão ética que é o que a recusa faz à comunidade".

Ao Estado cabe, nessa perspetiva, "mostrar às pessoas quais as oportunidades que vão progressivamente perder", dada a sua escolha pela não-vacinação.

Por exemplo, as pessoas não-vacinadas "podem ser impedidas de manter o seu emprego, de entrar em certos lugares, de interagir normalmente com outros em reuniões". Como ? Através de um "passaporte sanitário" aos candianos.

"Passaporte da imunidade" para a normalidade

A OMS mostrou reservas, por não haver provas suficientes. Mas a ideia foi acarinhada não só no Canadá mas também em vários países onde a recuperação das pessoas infetadas gerou o otimismo de que era possível certificar os recuperados e os com teste positivo de anticorpos.

A chegada da segunda vaga e a progressão dos casos fez esse otimismo desaparecer e a ideia do passaporte ficou de lado.

Mas com as vacinas, a ideia volta a estar na agenda de novo. Para ser ponderada, porque ainda nao temos todas as informações para podermos tomar uma decisão, disse um responsável do sistema canadiano de Saúde.

Desinformação: "Itália está à frente na vacinação anti-Covid"

A desinformação como causa e efeito da crise pandémica em curso tem estado muito ativa.

Vejamos: no início desta semana, na segunda-feira, 4, vários media deram a notícia de que a Itália seria a primeira na vacinação anti-Covid".

Ao consultar os sites institucionais, conclui-se que não é verdadeira a informação (Confira-se infra) e pergunta-se: É falsa, maliciosa ou negligente essa informação?

A ocupar a oitava posição mundial e a primeira na Europa em número de óbitos — com 2.220.365 casos de infeção e 77.291 óbitos — a Itália é o país com mais mortos associados à doença e está entre os que mais têm pessoas vacinadas. Mas não o primeiro lugar que é do Estado de Israel — Israel já vacinou 1 milhão e lidera a vacinação mundial —Pagou o dobro para ter vacinas, 07.jan.021 — seguido dos Emirados Árabes Unidos e Bahrein.

Fontes: El País/Euronews/DW/BBC/La Stampa/Referidas. Relacionado: Covid-19: Nova vaga impõe restrições duras, recolher obrigatório na Europa — Revolta cidadã, 27.out.020. Foto(Getty): Protestos nos Estados Unidos contra a vacinação anti-Covid; Anti-Covid: 1 em 5 cidadãos dos EUA recusa vacina, 14.ago.2020.

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