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Vacino-renitentes e ação do Estado "pelo bem comum"... mas relatório IDEA indica crescente ameaça à democracia em 64% de países 22 Novembro 2021

O relatório da IDEA-Instituto Internacional para a Democracia e Assistência Eleitoral, divulgado esta 2ªfª 22, indica que 64% dos países têm implementado medidas "desproporcionais, desnecessárias ou ilegais" a pretexto de combater a pandemia em curso. O alerta é dado sobre, entre outras medidas, a previsão da vacina obrigatória, o e-passe anti-Covid, a segregação dos não-vacinados expressa em perda do emprego, proibição de entrada em certos lugares ou de interagir normalmente com outros em reuniões".

Vacino-renitentes e ação do Estado

A organização sueca IDEA reporta que países democráticos têm resvalado para atuações antidemocráticas, que países de democracia "em desenvolvimento" ou imperfeita têm recuado nos avanços pró-democráticos . Tudo isto a ser enquadrado abusivamente no combate à pandemia.

Este relatório toca o alarme. Tem sido enfatizado que o programa vacinal implementado — sob regras vigentes nos países democráticos — assenta no princípio de que a vacinação é uma decisão que compete ao indivíduo tomar. Porém, com o agravamento de casos e óbitos, os governos têm vindo a implementar medidas questionáveis.

Como tem sido noticiado, registam-se pelo mundo medidas questionáveis. Por exemplo, a Espanha foi, em dezembro de 2020, pioneira no Registo de Vacina/Registro de Vacuna — que inclui os cidadãos que se recusarem a ser vacinados contra a Covid-19. O país registava há onze meses um milhão de infeções, número que em 21-11 quintuplicou, totaliza 5.075.921 casos confirmados. O número de óbitos era de 51.675 e hoje é de 87.753 óbitos.

Segundo os estatutos desse registo — que terá consequências não só em Espanha mas em toda a União Europeia —, quem recusar a vacina anti-Covid terá de arcar com as consequências da sua decisão. Efeitos de cariz económico, social, no limite a morte daí decorrente.

Estado, ciência...

As ciências da Saúde dizem-nos que a vacina pode salvar vidas e o Estado, através das estruturas adequadas, organiza a vacinação cumprindo o seu dever de promover o bem comum. Mas há muita gente que mostra resistência perante a vacinação: os vacino-resistentes motivados por fatores vários incluindo a desinformação, o desconhecimento ou a orientação maliciosa.

As respostas do Estado, da vacina aos confinamentos e e-passes sanitários, estão a ser questionadas e todos os dias as notícias mostram mais um protesto popular contra as medidas dos governo. Na Alemanha, Áustria (foto em protesto contra a vacina obrigatória anunciada para fevereiro), Reino Unido, Itália, Portugal, Estados Unidos(foto), Canadá, Japão, Nova Zelândia, França (França manda forças especiais para Guadalupe em revolta contra vacina obrigatória, 22.nov.021)... O governo aperta com as regras e os protestos invadem as ruas.

Outro exemplo. No Canadá, que regista hoje o número de 1.765.907 (contra os 633.067 em janeiro) de casos confirmados e 29.498 óbitos (em 7-1 eram 16.544), a disseminação da informação — com várias iniciativas em funcionamento desde outubro 2020, com o objetivo de esclarecer as dúvidas da população — é bem acolhida, mas o "passaporte sanitário" tem suscitado protestos. Outro exemplo.

Um professor de bioética na universidade de Toronto em entrevista à CTV.ca (regº144444) destacou o papel do Estado, entre "o direito de cada um decidir, afinal trata-se do seu corpo" e "a questão ética que é o que a recusa faz à comunidade" e cabe ao Estado "mostrar às pessoas quais as oportunidades que vão progressivamente perder", dada a sua escolha pela não-vacinação.

OMS reticente sobre "passaporte da imunidade" para a normalidade

A OMS mostrou reservas, por não haver provas suficientes. Mas a ideia foi acarinhada não só no Canadá mas também em vários países onde a recuperação das pessoas infetadas gerou o otimismo de que era possível certificar os recuperados e os com teste positivo de anticorpos.

A chegada da segunda vaga e a progressão dos casos fez esse otimismo desaparecer e a ideia do passaporte ficou de lado.

Mas com as vacinas, a ideia volta a estar na agenda de novo. Para ser ponderada, porque ainda não temos todas as informações para podermos tomar uma decisão, disse um responsável do sistema canadiano de Saúde.

Desinformação. Tem estado muito ativa como como causa e efeito da crise pandémica em curso. Erros sobre estatísticas do programa vacinal, até nos sites institucionais, suscitam a pergunta: É falsa, maliciosa ou negligente essa informação?

Mercadologia nas vacinas. Incomoda ainda a sensação de que os objetivos das empresas farmacêuticas estão com grande avanço sobre a necessária regulação das entidades científicas e do Estado.
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Fontes: DW.de/Euronews/BBC/La Stampa/outras referidas. Relacionado: Covid-19: Nova vaga impõe restrições duras, recolher obrigatório na Europa — Revolta cidadã, 27.out.020. Anti-Covid: 1 em 5 cidadãos dos EUA recusa vacina, 14.ago.2020;. Fotos (AFP/Getty): Manifestação no domingo, 20, na praça Maria Theresien na capital austríaca, à semelhança da que no mesmo dia aconteceu em Berlim liderada pela extrema-direita alemã contra as medidas de confinamento. Protestos nos Estados Unidos contra a vacinação anti-Covid.

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