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Variantes de Preocupação: Ómicron pressiona hospitais e agora surgiu uma "deltacron" 09 Janeiro 2022

O diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou para o facto de a nova variante de preocupação (VdP), a Ómicron, estar a "provocar mais hospitalizações e a matar pessoas", com um "tsunami de casos tão grande que está a saturar sistemas de saúde por todo o mundo". Foi entretanto identificada no Chipre o que se pensa ser uma nova variante do SARS-CoV-2 que combina as duas últimas VdP, a Delta e a Ómicron.

Variantes de Preocupação: Ómicron pressiona hospitais e agora surgiu uma

Tedros Ghebreyesus procurou desta forma acabar com a ideia de que a nova VdP (Ómicron) é mais ligeira do que as anteriores, o que pode levar muita a gente a reduzir as medidas de contenção do vírus e acabar por ainda agravar mais as infeções.

Apesar de a Ómicron parecer ser menos severa que a Delta, sobretudo entre os vacinados, isso não quer dizer que deve ser classificada como ligeira.

Só na semana que terminou sexta-feira, 7 de janeiro, foram relatados à Diretor-geral da OMS quase 9,5 milhões de infeções pelo SARS-CoV-2, um recorde e um agravamento de 71% em relação à semana anterior. Um balanço que Tedros Ghebreyesus receia ter sido desvalorizado.

Só na sexta-feira foram registados mais de 300 milhões de novas infeções em todo o mundo, agravadas sobretudo pela Ómicron, e um total de 34 países registaram novos recordes diários de novos casos, incluindo 18 na Europa e sete em África.

Os números de hospitalizações mantém-se longe dos números de há um ano, mas continuam a subir e agravados sobretudo pelos não vacinados, atualmente a minoria nos países europeus, mas ainda um vasto número de pessoas vulneráveis à Covid-19.

Desde que foi identificada na África do Sul, no final de novembro, a mais recente VdP propagou-se rapidamente, já afeta pelo menos 150 países, sendo já a dominante em vários, incluindo Portugal.

O Reino Unido é o país mais afetado pela Ómicron, com mais de 245 mil casos detetados e 75 mortes registadas.

A maioria dos internados em cuidados intensivos em países da União Europeia são pessoas não vacinadas, o que comprova também que as vacinas autorizadas pela Agência Europeia do Medicamento (EMA) mantém-se eficazes perante a Ómicron na prevenção da doença grave e morte.

Notou-se também que o período de infeção, dada a menor severidade, se reduziu para entre cinco e sete dias, o que já levou muitos países a rever os períodos de quarentena para os "doentes covid", incluindo Portugal.

Apear de estar a impulsionar com grande frequência novos recordes diários de infeções, a Ómicron não está a ter reflexos num agravamento das hospitalizações, o critério agora mais relevante para se aferir o nível de ameaça da pandemia.

Com muitos dos infetados com esta nova variante a revelarem-se assintomáticos, estes são os principais sintomas gerados pela Ómicron e que devem ser tidos em conta:

  • Tosse seca;
  • Cansaço;
  • Pequena irritação na garganta;
  • Dores de cabeça;
  • Febre ligeira;

Uma pequena parte dos doentes diagnosticados com a Ómicron na África do Sul revelaram febre alta, tosse recorrente e perda de paladar ou olfato. Os sintomas mais graves registam-se sobretudo em pessoas não vacinadas contra a Covid-19.

A descoberta

A variante denominada B.1.1.529 foi descoberta pela investigadora portuguesa Raquel Viana a 19 de novembro, de uma amostra recolhida dez dias antes, e foi reportada à Organização Mundial de Saúde (OMS) a 24 de novembro, a um mês do Natal.

Foi designada, dois dias depois, como “Variante de Preocupação” (VdP) devido sobretudo à rápida propagação verificada e às dezenas mutações encontradas. Integrando esta lista foi rebatizada como Ómicron.

O Grupo de Consultoria Técnica para a Evolução do Vírus SARS-CoV-2 da OMS (TAG-VE, na sigla anglófona), reunindo uma rede de laboratórios de referência da OMS para estudar a Covid-19, tem vindo a pesquisar intensivamente a nova variante, tendo encontrado uma série de mutações, inclusive na proteína S ou “spike” (espícula), a responsável pela infeção das células.

A OMS apela aos diversos países para partilharem os dados dos respetivos "doentes covid" hospitalizados para se acelerar o conhecimento da Ómicron e recomenda aos cidadãos as medidas elementares para conter a infeção:

  • distanciamento social de pelo menos um metro;
  • uso de máscaras homologadas;
  • ventilação regular de espaços fechados;
  • evitar espaços sobrelotados;
  • lavar regularmente as mãos;
  • tossir ou espirrar protegendo-se com o cotovelo ou um lenço;
  • vacinar-se tão rápido quanto possível.

Os dados preliminares sugerem um maior risco de reinfeção, em comparação com as VdP anteriores, mas ainda não há uma conclusão clara desta ameaça. As vacinas continuam a ser consideradas eficazes e os testes PCR detetam a Ómicron.

Não é claro que a nova variante cause mais doença grave do que as anteriores, incluindo a Delta. Os dados preliminares mostram apenas um aumento de hospitalizações, particularmente na África do Sul.

Uma nova variante em estudo

Foi entretanto identificada no Chipre o que se pensa ser uma nova variante do SARS-CoV-2 que combina as duas últimas VdP, a Delta e a Ómicron.

De forma informal, esta suposta nova estirpe foi denominada "Deltacron", e está a ser analisada, prevendo-se que no decorrer da próxima semana possam ser reveladas os primeiros dados sobre esta alegada variante.

"Vamos avaliar se esta estirpe é mais patológica ou contagiosa e se tem força para prevalecer [perante as variantes anteriores]", expicou Leondios Kostrikis, professo de ciências biológicas da Universiadde do Chipre, em entrevista à Sigma TV.

A apelidada "Deltacron" foi detetada em pelo menos 25 casos ativos no Chipre, apresentando "a assinatura genética da Ómicron com os genomas da Delta. "Atualmente existem duplas infeções com Ómicron e Delta. Nós descobrimos uma combinação das duas", sublinhou Kostrikis.

As análises preliminares mostraram que a frequência relativa da infeção combinada é mais alta entre os pacientes hospitalizados com Covid-19 do que em doentes covid não hospitalizados. Os dados recolhidos já foram partilhados como sistema GISAID, a base de dados internacional que acompanha a evolução do vírus e o estudo vai prosseguir.

De momento, esta é uma variante que ainda não preocupa a OMS.

Dois anos de SARS-CoV-2

Há cerca de dois anos que convivemos por todo o mundo com o vírus SARS-CoV-2, a causa da Covid-19. Ao longo deste tempo, este último membro da família coronavírus já infetou mais de 306 milhões de pessoas e custou cerca de 5,5 milhões de vidas por todo o planeta, impulsionado por pelo menos cinco VdP.

Em cada organismo infetado são produzidas e propagadas réplicas, o que permite ao vírus adaptar-se e evoluir face ao original que provocou a pandemia.

Pelo menos, desde de setembro de 2020 há cinco variantes a preocupar os especialistas da OMS devido ao potencial de serem mais resistentes ou de causarem uma forma mais grave de Covid-19.

Mas afinal o que são as variantes do vírus da Covid -19? Os vírus, de uma forma geral, começam por infetar um hospedeiro e a partir dele replicam-se, ou seja, produzem cópias de si mesmos.

Porquê nomes do alfabeto grego?

O TAG-VE, a equipa de especialistas da OMS, tem vindo a estudar a evolução do SARS-CoV-2 e partilhar informações para todo o mundo, mas para facilitar a comunicação com os diversos países decidiram renomear as VdP com nomes que fossem facilmente pronunciáveis por todos sem criar estigmas.

Foi, por isso, decidido recorrer-se ao alfabeto grego para tornar as partilhas de informação mais ágeis: Alpha, Beta, Gamma, Delta e, agora, Ómicron são, para já, os nomes em utilização mundialmente.

A maioria dos vírus são constituídos de RNA, um material genético, por exemplo, mais instável do que o DNA. Essa característica faz com que haja maior possibilidade de sofrer alterações ao longo do tempo, modificando ligeiramente a respetiva sequência genética.

As alterações na sequência são conhecidas como mutações genéticas. Os vírus com mutações são apelidados estirpes ou variantes.

Algumas das mutações podem não alterar as propriedades do vírus, outras podem até ser prejudiciais aos próprios vírus, mas algumas podem acabar por permitir uma "vantagem seletiva" e até tornar o vírus mais "amigo" do hospedeiro e torna-lo benigno.

Recordes de infeções por covid-19
Europa aperta o cerco aos não-vacinados contra covid-19
No caso do SARS-CoV-2, o vírus causador da Covid-19, a OMS classificou como “Variantes de Preocupação" (VdP) as que apresentam potencial de provocar infeções graves ou de se propagarem com mais facilidade. Estas estirpes ou variantes são mantidas sob forte vigilância.

A pandemia de SARS-CoV-2

O surto deste coronavírus, denominado SARS-CoV-2 e que provoca a doença Covid-19, terá surgido em dezembro de 2019, num mercado de rua de Wuhan, embora alguns estudos admitam que o vírus já estivesse presente há mais tempo naquela cidade chinesa.

O primeiro alerta endereçado à Organização Mundial de Saúde aconteceu a 31 de dezembro referindo o caso de uma pneumonia desconhecida. O primeiro registo na Europa surgiu a 24 de janeiro, em França, quatro dias depois da confirmação do vírus nos Estados Unidos.

Médicos em França sugerem, entretanto, ter assistido o primeiro paciente no país com Covid-19 a 27 de dezembro depois de repetirem em abril as análises de exames a antigos doentes com sintomas suspeitos da nova doença.

De acordo com os registos oficiais, a pandemia entrou em África, pelo Egito, a 15 de fevereiro, e dez dias depois chegou à América do Sul, pelo Brasil. A pandemia bloqueou a maior parte do mundo desde meados de março de 2020.

Dois anos depois e com a pandemia ainda ativa, há cerca de 306 milhões de infeções diagnosticadas e 5,5 milhões de mortos.

A vacinação contra a Covid-19 começou em dezembro de 2020, continua a diferentes velocidades por todo o mundo.

Quando já havia diversos países a inocular pessoas com uma dose de reforço das vacinas, surgiu uma nova variante, a Ómicron, de rápida propagação, resistente às vacinas, mas menos severa.

Existem atualmente 5 variantes de preocupação (VdP) para a OMS: Alpha, Beta, Gamma, Delta e Ómicron. Isto sem contar com a mais recente "Deltacron". A Semana com EN

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