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Varíola-do-macaco em 26 países desenvolvidos —Vírus ainda benigno, mais de 600 vítimas do sexo masculino 04 Junho 2022

A varíola-do-macaco está há um mês a alastrar-se pelos países europeus, Estados Unidos e Canadá, num total de mais de seiscentas infeções segundo a última contagem da OMS-Organização Mundial de Saúde. Embora o vírus ainda seja tido como benigno, já que até agora não ocorreu nenhum óbito, o alarme é geral nos países europeus como o Reino Unido onde surgiu o primeiro caso no início de maio.

Varíola-do-macaco  em 26 países desenvolvidos —Vírus ainda benigno, mais de 600 vítimas do sexo masculino

A doença infecciosa causada por um vírus da variedade ortopoxvírus é, segundo a OMS, transmitida por manuseio de carne de animais selvagens, por uma mordedura de animal, por fluidos corporais, por objetos contaminados ou pelo contacto próximo com uma pessoa infetada.

A doença, que apesar do nome parece ser mais comum em roedores do que em primatas, carateriza-se por erupções cutâneas, que começam por ser vermelhas e planas e mais tarde se convertem em bolhas com pus e crostas. São lesões dolorosas e pústulas que duram cerca de duas a quatro semanas antes de cicatrizarem e caírem.‎

O intervalo de tempo entre a exposição ao vírus e o início dos sintomas — febre, dor de cabeça, dores musculares, dor nas costas, calafrios, exaustão e linfonodos inchados — é de cerca de 10 dias, mas pode atingir três semanas.

A duração dos sintomas é em geral de duas a quatro semanas.

Em todos estes casos registados fora dos países endémicos, parece predominar uma caraterística: as mais de seiscentas vítimas registadas em 26 países são todas do sexo masculino e nenhum dos doentes esteve nos países onde a doença do ortopoxvírus é endémica.

A Espanha, em especial, a estância turística de Marbella parece ser o local de transmissão para alguns dos casos de doentes britânicos, indicam as fontes.

Transmissão só de sintomáticos

O New York Times traz hoje (03.06) uma matéria em que se alega que o vírus só é transmitido após o agente transmissor manifestar sintomas.

Contudo, as autoridades têm vindo a alertar que "o surto de varíola-do-macaco diz respeito a todos", como disse há um mês e repetiu ontem o presidente Biden.

Gays em risco? Em declarações citadas pelo NYT na edição de 3 de junho, o historiador Jim Downs deixa um aviso às entidades de Saúde. Deve ser evitada qualquer medida que ponha a população homossexual em risco. Como lembra, a ênfase em que a varíola-do-macaco não é uma "doença de gays" — aliás, diz, "uma correção necessária para apagar a retórica estigmatizante da crise do SIDA" — "deve acompanhar-se de ações que priorizem esse estrato social, tais como campanhas de informação, vacinas e testagem".

64 anos de varíola-do-macaco

Em 1958, o vírus foi encontrado em macacos de laboratório. Só existem registos de pessoas doentes a partir de 1970. Nestes 52 anos, afetou c.19 mil pessoas, sobretudo na África Central e Ocidental.

Em todos os casos endémicos, a transmissão parece ter sido de animal roedor doente para ser humano.

Vacinas: as da varíola e varicela parece que oferecem proteção. Além disso, se administrada até quatro dias após a infeção a vacina ati-varíola/varicela interrompe o desenvolvimento da doença, segundo o CCDI dos Estados Unidos.

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Fontes: WHO.org/INSP-IRJ.pt/NY Times/BBC/ ... Mapa do ortopoxvírus atualizado em 3.jun: Reino Unido: 179; Espanha: 120; Portugal: 92; Canadá: 26. O total de países afetados é de 26 e mais de 600 pessoas até hoje, 3-6.

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