DESPORTO

A SEMANA : Primeiro diário caboverdiano em linha

Velocista Lidiane Lopes: "Os atletas deveriam ser apoiados nos momentos difíceis da carreira e não esperar quando estejam no ‘top’ 25 Abril 2021

A pandemia do novo coronavírus (COVID-19) trouxe um grande impacto na vida das pessoas, mormente nos artistas e atletas. Em conversa exclusiva com o jornal Asemana, a velocista salense Lidiane Lopes revelou que apesar de o atletismo ser um desporto individual, o mesmo sofreu com o novo coronavírus. "Afetou porque antes poderíamos treinar todos juntos e conseguíamos estar com atletas mais fortes que nos ajudariam a evoluir e puxavam por nós", reiterou. Especializada nos 100 e 200 metros, a jovem velocista assegura que a pandemia veio para mostrar que, apesar de todas as conquistas e de todos os títulos, o mais importante é o respeito pelo próximo. A recordista cabo-verdiana na corrida de 100 metros avançou ainda que já passou algumas dificuldades por falta de apoio e que acredita que os atletas deveriam ser apoiados nos momentos difíceis da carreira e não esperar quando estejam no ‘top’ e serem levados para as competições.

Entrevista conduzida por: Luciana Cruz/Redação

Velocista Lidiane Lopes:

Asemana - Conte-nos um pouco da sua história... como começou a praticar o atletismo?

Lidiane Lopes - Comecei a praticar o atletismo com apenas 12 anos quando entrei no liceu. Lá eu conheci Júlio Nagana que veio a ser meu professor/treinador. No princípio praticava atletismo como praticava andebol, basket, capoeira, etc. Eu não era uma atleta onde pudessem olhar e falar essa tem futuro no atletismo. Não tinha qualidades natos para ser atleta, a não ser da altura que também era a minha dificuldade. No princípio, praticava o atletismo por gostar de estar com os colegas. No entanto, depois de uma corrida de estrada cheguei em quarto lugar e uma pessoa próxima a mim disse-me que não tinha talento para tal coisa por isso prometi a essa pessoa e a mim mesma que ia subir no pódio nacional. Depois disso, sonhei, trabalhei, lutei e conquistei títulos.

Quem são as pessoas que lhe ajudou ao longo da sua carreira?

- A pessoa mais importante e que me ajudou ao longo da minha carreira é, em primeiro lugar, o meu treinador/professor Júlio Nagana, porque me treinou e sempre acreditou em mim. O meu pai, Manuel, mais conhecido por Naís, dizia-me que tudo que fazemos na vida devemos encarar com respeito seriedade e determinação. Aconsehlou-me que se o meu treinador sai diariamente para ir me treinar, o máximo que poderia fazer para lhe retribuir é treinar com seriedade.
Descao dina a minha mãe, que era também a minha patrocinadora - patrocinava os meus suplementos e os meus sapatos de treinos e corrida.

Dificuldades enfrentadas ao longo da carreira

Qual foi a sua maior dificuldade enfrentada ao longo da sua carreira?

- Eu acredito que a minha maior dificuldade foi obter os patrocínios e o apoio dos próprios dirigentes do desporto. Penso que deveriam apoiar os atletas nos momentos difíceis da carreira e não esperar que nós estejamos no ‘top’ e levar-nos para as competições. Deveriam ter uma espécie de "alheiro" para escolher os atletas desde cedo e investir neles.

Como foi competir pela primeira vez?

- A minha primeira competição internacional foi nos jogos da CPLP em Moçambique. Foi diferente porque nunca antes tinha corrido num pista de tartan com direito a photofinish com blocos de start. Era tudo novo, mas adaptamos rápido e foi uma experiência única diferente.

Na sua opinião, o que é preciso para se tornar um atleta de prestígio?

- Na minha opinião, para se tornar uma atleta de prestígios é preciso determinação porque às vezes o talento pode estar lá, porém se a pessoa não tiver determinação e foco acaba se perdendo pelo caminho. Eu não tinha o tão chamado e famoso "talento nato", não nasci para ser atleta. Eu me formei atleta com muito trabalho, muito esforço, foco e claro com a ajuda dos meus treinadores Júlio Nagana e Pascoal Dias. Resumindo, é preciso treinadores dispostos e atletas dispostos a trabalharem duro e em conjunto para irem o mais longe possível.

Qual é o seu maior Sonho?

- O meu maior sonho a nível do atletismo é conseguir correr abaixo dos 12 segundos.

Impacto da pandemia na rotina dos atletas

Como os atletas estão enfrentando esta crise sanitária provocada pela pandemia de COVID-19?

- É complicado treinar com essa situação. Entretanto, como atletismo é um desporto individual, acabamos por conseguir manobrar um pouco a situação. Mesmo assim é complicado, porque o nível de competição não é o mesmo. Mas é só seguir com o foco e não desistir.

De que forma a rotina de treinos foi afetada?

- Afetou porque antes poderíamos treinar todos juntos e conseguíamos estar com atletas mais fortes que nos ajudavam a evoluir e puxavam por nós. Quando se treina sozinho perde-se um pouco a noção do esforço que fazemos. É mais complicado estar perto dos tempos oficiais.

Quais estratégias você adotou para manter o treinamento físico e mente em dia?

- Sempre que treino sinto-me bem e aliviada. Portanto, treinar - seja em casa, num parque ou numa pista - faz-me bem e faz-me sentir a mente e o espírito livres.

Que lição os atletas podem tirar com esta pandemia?

- Esta pandemia veio para mostrar que apesar de todas as conquistas e de todos os títulos, o mais importante é o respeito pelo próximo, é a saúde, é estar com a família e valorizar cada momento com eles.

Como será a pós-pandemia na vida em sociedade?

- E difícil dizer como será o pós-pandemia. A única coisa que podemos fazer é viver um dia de cada vez, respeitando sempre todas as normas de segurança e o próximo. É difícil falar em projetos futuros neste momento.

Evolução do atletismo em Cabo Verde

Como avalia a prática do atletismo em Cabo Verde e o que sugere para a sua melhoria?

- Há 10 e 11 anos, o atletismo era diferente: fazíamos campeonatos nacionais e o público era os atletas e alguns familiares do mesmo. Mas agora as coisas mudaram: conseguimos chegar a mais pessoas e essas pessoas já respeitam mais o desporto.

O atletismo evolui muito em Cabo Verde, apesar de que podemos sempre melhorar com alguns detalhes - com mais pessoas e empresas a apoiarem os atletas de modo individual.

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