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Vietnamita evita pena capital, aceita culpa e sai livre em maio dois anos após ser presa pelo homicídio do irmão de Kim Jong-Un – Uma história da Cochinchina 03 Abril 2019

O mistério do assassínio que começou como uma farsa assim continuou esta segunda-feira, 1, assistida por multimilhões de espectadores que viram imagens televisivas da sorridente Doan Thi Huong, enfim livre. O preço da liberdade e da vida é afinal irrisório: basta à vietnamita continuar a desempenhar um papel de atriz – o que a levou à cadeia e ao risco da pena capital por homicídio. A farsa que começou no mesmo dia do assassínio do irmão do presidente norte-coreano, em 14 de fevereiro de 2017 — como milhares de milhões de pessoas assistiram, através do sistema de vídeo do aeroporto de Kuala Lumpur, Malásia.

Vietnamita evita pena capital, aceita culpa e sai livre em maio  dois anos após ser presa pelo homicídio do irmão de Kim Jong-Un – Uma história da Cochinchina

Um homicídio por duas executantes ludibriadas como atrizes duma peça humorística. A farsa que elas foram contratadas para representar continuou farsa urdida no julgamento: uma foi solta por intervenção do governo indonésio, enquanto a outra continuava detida.

Um novo julgamento esta segunda-feira, 1, dia das mentiras decidiu pela soltura, em maio, da vietnamita do duo detido, de entre os seis supeitos, quatro dos quais — os contratadores da farsa que afinal foi urdida para ser tragédia — nunca mais foram tidos nem achados.

A vietnamita estará livre em maio, porque aceitou declarar-se culpada de ’homicídio involuntário’. O mistério do assassínio que começou como uma farsa continua. Duas atrizes, com ou sem aspas, contratadas para uma farsa – afinal, tragédia a que milhões de pessoas acabaram por assistir através do sistema de vídeo do aeroporto de Kuala Lumpur, Malásia – que degenerou no assassínio do irmão dissidente do regime norte-coreano, a viver no exílio desde os anos de 1990 em Macau.

A farsa também do julgamento da indonésia. A farsa também do novo julgamento esta segunda-feira, 1, dia das mentiras, que decidiu que Doan Thi Huong estará livre em maio, porque aceitou declarar-se culpada de ’homicídio involuntário’.

O cenário é a Malásia, que em tempos outros abrangia a Cochinchina. Esta história da Cochinchina, que é a morte por resolver de Kim Jong-Nam, promete ficar nos anais dos casos insolúveis.

Uma história da Cochinchina

A Cochinchina porque distante no espaço-tempo acabou ao longo dos séculos, no imaginário de quem fala português, por ganhar uma nova nuance: a de uma realidade misteriosa.

"Fica na Cochinchina" ou "para lá da Cochinchina", assim nasalizadas ou até sem nasal, começou por ser uma expressão habitual para referir algo geograficamente muito distante, de localização imprecisa.

Termo geográfico tão abrangente e impreciso como o quase contemporâneo ’Guiné’ (mais velho um século), “Cochinchina” a partir do século XVI grafado "Cochim-China", em português, é um neologismo datável (por escrito) de 1535. Dezanove anos pois, sobre a data da chegada dos portugueses, em 1516, ao reino anamita, hoje Vietname.

“Cochim" derivou da transcrição ‘Caochi’, e ainda, ‘Cauchi’, feita pelo Capitão António de Faria, em 1535, do nome malaio Kuchi usado para designar toda a região. O termo malaio por sua vez deriva do chinês Jiao Zhi/Ji, também pronunciado Giao Chỉ/Ji segundo a variação geolinguística.

A "Cochim-China" distinguia-se, assim, da indiana “Cochim”, cidade que pela localização intermediária com a China foi a escolhida para os portugueses estabelecerem a sua sede.

Cochinchina passou a outras línguas europeias e inspiraria mais de trezentos anos depois a ‘Indochina’ colonizada pelos franceses no século XIX e até à independência em 1948 do novo Vietname.

Esse Vietname, futuro tema recorrente de Hollywood, foi palco do desembarque em 1964 dos "marines" americanos, na mesma baía de Da Nang onde os portugueses tinham desembarcado em 1516 na "Cochim-China" e outras formas semelhantes do século XVI em diante, como os termos "Chinacochim" ou "Champachina".

Múltiplas geodesignações a atestar a presença insistente de Portugal que tentou aí estabelecer, na cidade de Faifo (distante só 20 km da atual Da Nang), um enclave comercial permanente, como Macau ou Goa.

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Fontes (da notícia): Le Monde/BBC/China Times... Fontes Histórico-linguísticas académicas . Foto (AP)

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