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Violência na Guiné-Bissau atinge 67 por cento de mulheres 27 Novembro 2021

Um estudo financiado pela União Europeia e executado por três ONG locais revela que 67 por cento de mulheres da Guiné-Bissau já foram atingidas por algum tipo de violência por parte de homens e que a maioria das situações nem sequer foi denunciada à Justiça.

Violência na Guiné-Bissau atinge 67 por cento de mulheres

Segundo a Lusa, que divulgou o documento, entre os indicadores de violência contra a mulher guineense, o estudo concluiu que o casamento e a gravidez precoce "fazem parte da realidade” das meninas e mulheres do país e que quase metade das inquiridas afirmaram ter casado com menos de 18 anos.

A grande maioria denunciou nos inquéritos ter sido obrigada a casar por decisão dos familiares, lê-se no estudo, que contou ainda com a colaboração de várias organizações e entidades estatais guineenses. O estudo apurou também que 44 por cento das mulheres que têm ou já tiveram um parceiro sofreram violência psicológica, 38 por cento violência física, 22 por cento violência sexual e 25 por cento foram vítimas de violência económica.

Uma em cada três das mulheres inquiridas disse ter sido alvo de mais do que um tipo de violência, concluiu o estudo que ainda refere que metade das agressões físicas ocorreu nos últimos 12 meses, havendo mesmo situações "muito graves”.
A violência contra a mulher também acontece em situações em que não existe um parceiro, mas é mais frequente, segundo o estudo, no seio familiar, com 80 por cento de casos a apontar o pai como o agressor da vítima.

O estudo observou que 19 por cento de mulheres inquiridas acreditam que a prática de Mutilação Genital Feminina (MGF) ainda "é algo de benéfico”, por representar o respeito para a vítima, possibilidade de obtenção de dinheiro ou de outros bens materiais.
Também detectou que 60 por cento das mulheres que participaram nos inquéritos foram submetidas à MGF, prática considerada crime público na Guiné-Bissau, desde 2011, mas que ainda é realizada, às escondidas, em várias comunidades do país.

Das 687 mulheres inquiridas e que afirmaram terem sido vítimas de algum tipo de violência por parte do parceiro ou não parceiro, apenas 21 informaram à Polícia e apenas num caso o agressor foi detido, revela o estudo. O inquérito ainda apurou que 50 por cento das inquiridas consideram a violência doméstica como aceitável. A Semana com Jornal de angola

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