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Wikileaks: Arranca julgamento de extradição para EUA onde Assange arrisca pena perpétua ou capital 25 Fevereiro 2020

O fundador da Wikileaks, Julian Assange, começou na manhã de segunda-feira, 24, a ser julgado num tribunal de Londres que vai ter de decidir sobre o pedido de extradição que Washington requer há mais de dez anos.

Wikileaks: Arranca julgamento de extradição para EUA onde Assange arrisca pena perpétua ou capital

Em Londres, cartazes com slogans como "Jornalismo não é crime", "Libertem Assange", "Não extraditem o mensageiro", acompanharam os protestos de centenas de pessoas que se manifestaram no domingo, véspera do arranque do julgamento a decorrer entre 24 de fevereiro e fins de maio.

A manifestação de Londres teve um orador inesperado, John Shipton, pai de Assange que falou sobre o estado de saúde do filho: "Se for extraditado, ele não vai resistir. A extradição é já a sua sentença de morte". Assange detido em 11 de abril passado tem vindo desde aí a lutar contra o pedido de extradição para os Estados Unidos.

Também em outras cidades europeias houve manifestações em apoio a Assange, contra a extradição. Em Berlim manifestaram-se dezenas de pessoas, para pedirem à Angela Merkel que lhe conceda asilo político.

Também na Alemanha, uma carta-aberta assinada por políticos e intelectuais pede a libertação de Julian Assange, fundador do Wikileaks.

Médicos têm assinado petições a pedir a melhoria das condições de prisão de Assange, que tem a "saúde muito deteriorada".

A defesa de Assange alega que se for extraditado deixará de obter um julgamento justo, porque a justiça americana pode mudar a acusação de pirataria informática para espionagem, cuja pena de prisão vai da perpétua à pena de morte.

Denunciou a desumanidade da guerra

A justiça americana acusa o fundador do Wikileaks de ter em 2010 publicado centenas de milhares de documentos secretos na internet, na sua maioria relativos à guerra do Iraque.

Os documentos continham informação confidencial sobre as operações militares dos Estados Unidos no Iraque — desde a morte de civis até à tortura de prisioneiros de guerra, contra as leis internacionais.

Conselho Europeu apela à não extradição

A responsável dos Direitos Humanos do Conselho Europeu dirigiu um apelo à justiça britânica, com argumentos em prol da liberdade de imprensa e direito à informação.

A comissária Dunja Mijatovic argumenta que "a natureza abrangente e imprecisa das alegações é perturbadora, porque concernem a atividade do jornalismo de investigação não só na Europa".

Democratas querem-no "a responder pelo que fez"

A candidata presidencial derrotada Hillary Clinton expressou que Assange deve "responder pelo que fez".

O também dirigente do Partido Democrata Mark Warner diz, via Twitter que Assange "mesmo se começou com boas intenções" acabou por "ser uma marioneta da Rússia" para "destruir o Ocidente".

O fenómeno Wikileaks associa-se pouco favoravelmente ao legado de Obama na história. Foi sob Obama — primeiro presidente dos Estados Unidos de origem africana — que tudo começou e o próprio presidente considerou que Assange não é um campeão da liberdade mas um seu traidor.

Mas o 44º presidente negou empreender um processo judicial, alegando que teria de o fazer também para o prestigiado campeão da liberdade que é o New York Times, que publicou o material recolhido pelo site Wikileaks.
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Fontes: BBC/DW/Twitters referidos. Relacionado: Fotos: Em Londres, centenas de pessoas manifestam-se contra a extradição de Julian Assange, fundador do Wikileaks.

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