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William de Inglaterra apoia investigação da BBC sobre "entrevista do século à Lady Di" 01 Dezembro 2020

O número-dois na sucessão do Reino Unido acaba de reagir ao escândalo, revelado este mês de novembro, de que houve falsificação de documentos para enganar a princesa de Gales a deixar-se entrevistar pela BBC em finais de 1995, durante a qual falou de forma aberta sobre a vida com Carlos, herdeiro do trono do Reino Unido, de quem estava separada, e uma frase entrou para a história: "Éramos três neste casamento, isto é demasiado abarrotado". A rainha Isabel "chocada", "em fúria" autorizou o impensável divórcio. 25 anos depois, Charles Spencer denuncia o jornalista que "falsificou provas", sem as quais "nunca teria apresentado o Bashir à minha irmã".

William de Inglaterra apoia investigação da BBC sobre

O escândalo rebentou este mês com o conde Spencer a acusar a BBC e o seu jornalista Martin Bashir (na foto, à d.ta) de o terem enganado com provas fraudulentas — como escutas e falsos extratos bancários de pagamentos a duas pessoas próximas de Diana — de que a princesa estava a ser vigiada pelos serviços secretos.

"Se não fosse por essas provas, nunca teria apresentado o Bashir à minha irmã", escreveu Spencer à BBC. Exige ainda "um pedido de desculpas públicas a todos os que foram enganados", incluindo o público — centenas de milhões de espectadores que viram a entrevista, agora na internet.

A cadeia pública em janeiro de 1996 tinha realizado um inquérito, pouco depois da exclusiva "entrevista do século". Os executivos da BBC "estavam preocupados" pelo facto de que Bashir tinha conseguido "ganhar a confiança da princesa".

Mas concluído o inquérito — que incluiu uma declaração manuscrita de Diana de que os documentos apresentados em nada a influenciaram para aceitar ser entrevistada —, "a ética" e "conduta profissional" do jornalista foram avaliadas como "dentro da norma da BBC", segundo o presidente Tony Hall.

Um quarto de século depois, a série de acusações explosivas de Charles Spencer — que se apoiou em investigação da Channel 4 — já levou a BBC, órgão de comunicação público, a anunciar na quarta-feira, 25, que "o juiz John Dyson, reformado do Supremo Tribunal, irá conduzir uma investigação independente".

Entretanto no dia 13 a BBC anunciou que tinha encontrado a nota manuscrita (durante anos, esquecida) em que Diana ilibou Bashir em 1996. É um trunfo para a BBC, essa peça com que não contou a reportagem da Channel 4 citada por Spencer.

Mas o jornalista Dave Webb da Channel 4 escreveu no Sunday Times, no domingo 15, que tinha solicitado desde 2007 a peça documental: "Durante treze anos a BBC disse que não a encontrava e agora ... magicamente ela aparece?"

Filho de Diana

O Palácio de Kensington comunicou na quarta-feira, 25, que o príncipe William "recebe com satisfação o início da investigação sobre o modo como Bashir obteve a entrevista" com a mãe. Diana faleceu em 1997, aos 36 anos e deixou órfãos William, de 15 anos, e Henry, de 12.

A imprensa londrina refere que o filho primogénito de Carlos de Inglaterra passou os últimos quinze dias em contacto com a BBC, para garantir que a empresa pública de comunicação social iria contratar uma investigação independente — para "estabelecer a verdade", incluindo apurar "o papel de quem estava na cadeia (BBC) e autorizou a entrevista" de Bashir à princesa Diana.

Extorsão

O irmão de Diana acrescentou que a entrevista foi feita sob extorsão, já que Bashir garantiu que eram comprometedores para a própria princesa de Gales os documentos bancários.

Spencer cita a reportagem do Channel 4 como a fonte de informação que o fez saber que eram falsos todos os elementos de prova que Bashir lhe apresentou.

Jornalista com Covid

Martin Bashir que "a entrevista do século" tornou celebridade internacional, mais de duas semanas depois da denúncia ainda não se pronunciou porque está em convalescença.

Em fins de outubro, o jornalista veterano, de 57 anos, foi notícia quando ficou doente com o coronavírus. Segundo a direção da BBC, ele "será ouvido logo que tenha recuperado da doença que o atingiu com gravidade".

Fontes: Reuters/BBC/Daily Mail/. Fotos (Getty): Separados desde 1992, Diana e Carlos surgiam em fotos oficiais, como esta de 1993, com os filhos.

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