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XVII Congresso do PAICV: Rui Semedo anuncia que preparar o partido para ser poder em 2026 constitui grande objetivo da magna reunião 09 Abril 2022

O presidente do maior partido da oposição defendeu, hoje, que preparar o PAICV para mobilizar e ganhar o apoio do povo cabo-verdiano parar voltar a ser poder em 2026 constitui o obetivo cardinal do XVII Congresso do PAICV, que arrancou, no fim da tarde desta sexta-feira, no Palácio da Assembleia Nacional, na Praia.

XVII Congresso do PAICV: Rui Semedo anuncia que preparar o partido para ser poder em 2026 constitui  grande objetivo  da magna reunião

Entre aplausos com vivas e palmas numa plateia efusiva composta por militante e simpatizantes e representantes estrangeiros de partidos amigos, Rui Semedo analisou a situação socio-económica difícil reinante no país, refletiu sobre a vida interna do PAICV e lançou as pistas para a sua modernização e relançamento, com foco na sua preparação para voltar a ser governo com as legislativas de 2026. «Preparar o PAICV para os próximos desafios fundamentais do país no próximo futuro, reafirmar o PAICV como um instrumento útil e incontornável nestes tempos de grandes dificuldades, mobilizar e ganhar o apoio do povo cabo-verdiano para voltar a ser poder a nível nacional nos próximos embates eleitorais constituirá um outro objetivo cardinal do nosso Congresso», enumerou.

Por considerar o momento particularmente complexo que o mundo atravessa neste início dos anos 20 do novo Século, o líder do PAICV fez questão de realçar que este XVII Congresso ganha especial relevo, aumentando as responsabilidades dos dirigentes quanto à qualidade e a pertinência das soluções que devem apresentar para melhorar o desempenho do partido e elevar a qualidade de vida dos cabo-verdianos. «Para tal, a nossa ação deve visar a melhorar e fortalecer a organização, manter os militantes motivados e combativos, conquistar a confiança dos cidadãos e constituir-se uma alternativa de governação», avançou.

Para cumprir esta missão, o líder do maior partido da oposição anunciou que o PAICV colocará a maior ênfase na “reengenharia” da sua matriz ideológica de partido de Esquerda de causas nobres, comprometido com a defesa das camadas menos favorecidas, dos interesses de Cabo Verde e a promoção do desenvolvimento harmonioso do país. «Por outro lado, não se pode ignorar a relativa fragilidade das organizações da sociedade civil, o que limita a sua capacidade de intervenção e participação, enquanto associações autónomas e independentes, e nem a omnipresença e a omnipotência do Estado, em praticamente todos os sectores e níveis da sociedade, condicionando e muito a participação cívica».

Contexto da crise e desafios a vencer

No seu discurso, Rui Semedo destacou também que o Congresso está a decorrer num contexto particularmente desafiante, nos planos interno, nacional e externo. «Acontece na esteira de uma sucessão de atos eleitorais, fortemente condicionados pela situação social do país, que vem sofrendo os efeitos de uma seca prolongada e pela pandemia do Covid-19 que testaram a nossa capacidade de intervenção na sociedade. Os resultados destas eleições nos convidem a prosseguir a reflexão necessária sobre os nossos métodos de trabalho político, a eficácia da nossa comunicação com a sociedade, a adequação da nossa mensagem às expectativas dos eleitores cabo-verdianos, num exercício de autocrítica e superação permanentes, indissociáveis de um Partido com a elevada responsabilidade histórica como o PAICV».

Enquadrou que é neste cenário que tem decorrido a intensa atividade da organização do Partido, desde logo para se ajustar às consequências dos resultados eleitorais, inicialmente promissores com as várias vitórias conseguidas a nível autárquico – destacando-se, entre elas, a conquista da Capital do país – mas seguidas de resultados pouco satisfatórios nas decisivas eleições legislativas. «Tal não impediu, contudo, que o candidato apoiado pelo PAICV saísse vencedor logo na primeira volta das presidenciais, com resultados surpreendentes, particularmente se se tiver em consideração a dimensão e a diversidade dos recursos que foram colocados à disposição da candidatura adversária. Esta vitória deu origem a um quadro institucional que assegura uma repartição mais equilibrada do poder entre os principais órgãos da cúpula do Estado», relevou.

Na sequência dos atos eleitorais referidos, Semedo avançou que vem sendo realizados a renovação dos mandatos dos órgãos regionais do Partido, assim como a eleição do Presidente do Partido, o que tem movimentado todas as estruturas e os militantes, dando origem a discussões e reflexões enriquecedoras, visando melhorar o desempenho global e local da organização partidária e em preparação do presente Congresso, que completará o ciclo de renovação com a eleição dos órgãos nacionais. Uma etapa que considerou ser «fundamental para reforçar a união do PAICV e a coesão da ação prática dos seus membros, condição necessária para garantir o posicionamento do PAICV no tabuleiro político nacional».

O político recordou que, enquanto está a decorrer o nosso Congresso, o mundo enfrenta uma perigosa situação de guerra, entre Rússia e Ucrânia, com o potencial de se transformar no detonador de um confronto internacional de proporções e consequências inimagináveis. «Os seus efeitos já se fazem globalmente sentir, provocando aumentos vertiginosos de preços que atiçam a inflação e acarretam a deterioração das condições de vida, particularmente das camadas mais desprotegidas da população».

O líder do partido da estrela negra acrescentou que este conflito desenrola-se, sob o pano de fundo do agravamento das relações internacionais, provocado pelos interesses económicos e estratégicos das grandes potências e as disputas cada vez mais acirradas em torno da afirmação e defesa das respetivas zonas de influência.

«O PAICV sempre propugnou pelo não-alinhamento ativo numa política externa coerente com os princípios consagrados na Carta das Nações Unidas e no respeito pela legalidade internacional, rejeitando a utilização ou a ameaça de utilização da força para a resolução de diferendos entre Estados, defendendo a via do diálogo e o recurso a todos os meios pacíficos para a resolução dos ditos diferendos», anunciou.

Diante do quadro descrito, Rui Semedo conclui que a situação exige diálogo e entendimento entre as partes beligerantes. «A situação existente exige que os principais atores no conflito encontrem o mais urgentemente possível um quadro de entendimento que ponha fim à violência, à destruição e ao sofrimento injustificado dos cidadãos, sendo imperativo que por parte dos não-beligerantes estatais ou não, haja o empenho sincero em ajudar a restabelecer a paz, sem esperar tirar dividendos políticos da tragédia que se desenrola sob os olhos do mundo inteiro».

Governação e alternativa

Nua sua longa explanação durante a abertura do XVII Congresso, Rui Semedo falou ainda de vários outros aspetos relevantes sobre a vida do PAICV e de Cabo Verde, com destaque para a situação socioeconómica difícil que se vive no país e as fracas capacidades de respostas do Governo em solucionar os problemas, bem como as propostas politicas do seu partido para ser alternativa ao actual executivo do MpD nas legislativas de 2026 – esses temas serão retomados neste jornal.

«Juntos por Cabo Verde» é o lema do XVII Congresso do PAICV, que prosseguirá, na Assembleia Nacional, até o próximo Domingo, altura em que serão apresentados as resoluções finais e os novos órgãos nacionais eleitos.

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