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Polémica na escolha do administrador suplente para BM: PAICV denuncia amiguismo e compadrio que atingem proporções internacionais – nomeado sem experiência relevante em instituições financeiras e políticas 29 Outubro 2022

O PAICV (Oposição ) denunciou hoje, em conferência de imprensa promovida pelo seu Secretario-geral, aquilo que considera ser “o amiguismo e compadrio”, que atingem proporções internacionais. Em causa está o anuncio do Grupo Banco Mundial que nomeou, sob proposta do Governo de Cabo Verde, Harold Tavares, atual diretor do Gabinete do Primeiro-ministro, como Diretor Executivo suplente do BM. O que se questiona, segundo Julião Varela, é o processo de seleção que se baseou “em critérios de amizade, proximidade ou laços de prestação de serviços partidários” e a “ escolha controversa de uma pessoa sem experiência relevante em instituições financeiras, políticas ou diplomáticas, para um cargo de extrema importância, cuja oportunidade só aparece de 30 em 30 anos”.

Polémica na escolha do administrador suplente  para BM: PAICV denuncia amiguismo e compadrio que atingem proporções internacionais –  nomeado sem experiência relevante em instituições financeiras e políticas

Conforme sustenta, ultimamente veio a público a questão da nomeação de um administrador para o Banco Mundial, oportunidade com que Cabo verde é confrontado de 30 a 30 anos e que, por isso mesmo, deveria ser aproveitado de melhor forma e, em princípio, deveria ser tratado de forma diferente.

Ao contrário do que todos esperavam, esta questão esteve à socapa e no segredo dos Deuses e assim poderia continuar não fosse a denúncia desta escolha despropositada que surpreendeu a todos, porque se baseou, mais uma vez, em critérios de amizade, proximidade ou laços de prestação de serviços partidários. Assim, sem mais nem menos, somos todos confrontados com essa escolha controversa de uma pessoa sem experiência relevante em instituições financeiras, políticas ou diplomáticas, para um cargo de extrema importância, cuja oportunidade só aparece de 30 em 30 anos, o que a consumar-se seria um enorme desperdício de uma oportunidade de ouro para o país”, fundamenta.

Varela fez questão de recordar que este representante de Cabo Verde seria também um representante de um conjunto de 23 países da África Ocidental, incluindo Cabo Verde e deixando de fora apenas a Nigéria, pelas suas características particulares, sendo assim um interlocutor muito influente junto do Banco Mundial.

“Esta oportunidade deveria ser aproveitada para Cabo Verde ter uma voz - competente, experiente e credível -, para o diálogo com os 23 países e interlocutores de alto nível, aproveitando-se das suas experiências para projetar a imagem deste país insular que tem a normal ambição de exercer também a sua influência junto de Organismos Internacionais. Sem dúvida alguma, estamos em presença de uma oportunidade singular a ser muito bem aproveitada de oferecer ao mundo uma personalidade com conhecimento e com experiência reconhecida na área de gestão de instituições financeiras, designadamente nas instituições financeiras internacionais”, sustenta.

Para o conferencista, esta seria uma oportunidade para se privilegiar essencialmente o mérito e premiar um daqueles cabo-verdianos que se demonstrarem estar com o perfil mais adequado em virtude do investimento feito na sua formação e qualificação ao longo da vida, ou também em virtude de experiências práticas em posições de destaque, designadamente em instituições financeiras.

Para nós, esta não deveria ser nunca uma oportunidade para se agir com base em qualquer esquema que põe em evidência critérios baseados no amiguismo e no compadrio. Há muito que vimos denunciando e clamando para se afastar do critério político-partidário como condição para a seleção de quadros para o exercício de funções administrativas. Esta situação é muito grave porque mais uma vez o Governo, sem partilhar com ninguém, está a impor uma solução com elevados custos, designadamente, com efeitos negativos no que diz respeito a imagem e a credibilidade do Estado de Cabo Verde”, contesta a mesma fonte.

Segundo fundamenta o SG do PAICV, o Governo de Ulisses Correia e Silva manipulou as informações e adotou como requisito essencial o cartão de militante, causando desconforto e descontentamento, mesmo no seio da maioria que não compreende esta opção de colocar num posto tão relevante alguém sem perfil adequado. “Mas o problema é que a decisão vincula não apenas o governo, mas sim o país inteiro e, por um período de 30 anos. Por isso, o concurso jamais deveria ser entre os militantes e amigos próximos do MpD, mas sim num universo maior que abrangesse todos os cabo-Verdianos para que se tivesse chegado a pessoas melhor preparadas para o cargo”, adverte.

Julião Varela diz ser reprovável que tudo tenha sido feito desta forma, com base numa gestão estritamente partidária, quando se deveria privilegiar o mérito, a competência, a experiência e sobretudo os interesses do país e de todos os cabo-verdianos.

O PAICV apela ao senhor primeiro-ministro a dar uma explicação aos cabo-verdianos, pois ao que parece foi ele que conduziu diretamente o processo. O PAICV defende que ainda se está a tempo de se reconsiderar esta decisão e promover uma escolha que recaia sobre os melhores, os mais competentes, os mais experientes para a dignificação de Cabo Verde e dignificação daqueles países a serem representados. O PAICV, perante a situação de este ser o cargo mais importante que o país deverá ocupar nos próximos tempos, defende que não se deve perder esta oportunidade de indicar um cabo-verdiano melhor preparado, que nos dignifique a todos”, exige o maior partido da oposição.

O que diz o Governo

Entretanto, o Governo de Cabo Verde anuncia, na sua página oficial, que o Grupo do Banco Mundial aprovou Harold Tavares como Diretor Executivo Suplente. Indica que, neste cargo, Tavares contribuirá para o trabalho e missões do Banco Mundial em 23 países africanos, incluindo Cabo Verde. Esclarece que a " sua nomeação foi precedida por um processo de seleção, para o qual o Governo propôs múltiplos candidatos".

Informa que o mandato do Harold Tavares será de dois anos, com início a 1 de Novembro de 2022, prorrogável à discrição do Banco Mundial.

Referindo-se ao perfil do nomeado, o Governo revela que Tavares tem um vasto historial profissional de trabalho internacional no domínio dos recursos humanos, desenvolvimento de capacidades e competências técnicas, combate à pobreza e promoção da justiça social. "Administrador público capacitado, desempenhou, nos últimos anos, o cargo de Diretor de Gabinete do Primeiro-Ministro, Dr. Ulisses Correia e Silva, e tendo tido papel fundamental na coordenação de trabalhos intersectoriais, com resultados satisfatórios em áreas sensíveis da ação governamental", sustenta.

Segundo a mesma fonte, Tavares possui um Mestrado em Ciências Administrativas e Economia Financeira pela Universidade de Boston, bem como um Mestrado em Administração Pública pela Bridgewater State University. Acrescenta que é ainda beneficiário da prestigiada Bolsa Crans Montana e, anteriormente, foi nomeado, nos Estados Unidos, como uma das Pessoas Mais Influentes de Descendência Africana (com menos de 40 anos).

"No início da sua carreira, o Dr. Tavares serviu como administrador, no ensino superior nos Estados Unidos, liderando o desenvolvimento de programas internacionais e estabelecendo um instituto de gestão pública sob os auspícios da Mandela Washington Fellowship and Young African Leaders Initiative", esclarece o Governo.

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