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Brasil-Chile: Bolsonaro elogia Pinochet e atrai fúria do último aliado que tinha na América Latina 07 Setembro 2019

O presidente chileno Sebastian Piñera, aliado de Bolsonaro como se viu na última cimeira do G7, já condenou as palavras do homólogo brasileiro que na quarta-feira expressou apoio à ditadura de Pinochet e atacou a memória duma das suas vítimas que foi Alberto Bachelet, pai da ex-presidente Michelle Bachelet, atual Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Brasil-Chile: Bolsonaro elogia Pinochet e atrai fúria do último aliado que tinha na América Latina

"Michelle Bachelet, a Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, segue a linha de Macron" de "interferir em assuntos internos e de soberania do Brasil", "investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valorosos policiais civis e militares”, lê-se no post de Jair Bolsonaro no Facebook.

A Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos tinha, na véspera durante uma conferência de imprensa em Genebra, apontado que no Brasil se assiste a um "aumento da violência policial" e "redução do espaço cívico e democrático".

"Temos visto um aumento preocupante da violência policial em 2019", prosseguiu Bachelet apontando o "discurso público que legimita execuções sumárias e uma ausência de responsabilização. Também estamos preocupados com algumas medidas recentes como a desregulamentação das regras de armas de fogo, e propostas de reformas para reforçar o encarceramento e levando à superlotação de prisões, aumentando ainda mais as preocupações de segurança pública".

A Comissária assinalou ainda que "é preocupante para nós quando ouvimos a negação de crimes passados do Estado, que se exemplificam com celebrações propostas do golpe militar, combinadas com um processo de transição jurídica que pode resultar em impunidade e reforçar a mensagem de que os agentes do Estado estão acima da lei e estão, na prática, autorizados a matar sem serem responsabilizados".

O presidente do Brasil reagindo às declarações da Comissária escreveu: "Diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai, brigadeiro à época".

Chile indigna-se

O Chile, tanto no governo como na oposição, não esconde a indignação diante da mais recente declaração de Bolsonaro, que se junta às anteriores manifestações de Bolsonaro a favor do regime de Pinochet.

O governo de centro-direita de Sebastián Piñera tem sido considerado como o último amigo que resta a Bolsonaro na América Latina.

Mas em comunicado público o presidente chileno ao destacar que as diferenças de opinião "devem demonstrar respeito às pessoas" repudiou o desrespeito manifestado na declaração de Bolsonaro sobre Bachelet e afirmou: "Não compartilho a alusão feita pelo presidente Bolsonaro a uma ex-presidente do Chile e, especialmente, num assunto tão doloroso quanto a morte de seu pai".

Também a filha do presidente Allende deposto pela ditadura, a senadora Isabel Allende, do partido socialista, manifestou a sua solidariedade com a ex-presidente Bachelet, do partido de centro-direita.

Alberto Bachelet, pai de Michelle, era general da Força Aérea do Chile quando se deu o golpe de Estado de 11 de setembro de 1973, que depôs o presidente Salvador Allende.

O golpe liderado pelo chefe do Exército, Augusto Pinochet, tinha o apoio dos Estados Unidos. Bachelet opôs-se ao novo regime, foi preso e vítima de interrogatórios e torturas. Ele morreu na prisão, em fevereiro de 1974, aos 50 anos.

A ditadura militar só teve fim em 1990, depois do referendo nacional que abriu o caminho para a restauração da democracia. Fontes: El País/ Le Monde/Reuters

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