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EUA-Guantánamo: Khan em ’delação premiada’ relata em tribunal torturas da CIA 26 Novembro 2021

O nativo saudita de nacionalidade paquistanesa e norte-americana Majid Khan esteve ao longo deste último mês a ser ouvido num tribunal militar dos Estados Unidos. Confesso operacional da Al-Qaida, relatou como foi torturado pela CIA e "em troca" a sentença de 26 anos de prisão é anulável e ele será libertado "em breve".

EUA-Guantánamo: Khan em ’delação premiada’ relata em tribunal torturas da CIA

O "torturado" Majid Khan, das manchetes destes últimos dias na imprensa mundial a repercutir a reportagem do New York Times, descreve os interrogatórios violentos, a cabeça mergulhada em água gelada e ali mantida até ele confessar... tudo o que os torturadores quisessem, durante os três anos em que esteve nas mãos da CIA após as autoridades do Paquistão o entregarem.

Entre 2003 e 2006 percorreu as prisões secretas da CIA, onde o mantiveram dependurado com correntes, nu e sem comida por dias a fio nas celas sem janela.

Este é um dos trechos do relato que Majid Khan — o único preso de Guantánamo que tem nacionalidade dos Estados Unidos e confessou ser correio da Al-Qaida — leu à audiência em 29-11.

São trinta e nove páginas com descrições de afogamentos, alimentação forçada por sonda anal para lhe negar o direito à greve da fome, os interrogatórios como acima descrito, de tortura do sono, agressões sexuais – "Fui violado pelos médicos da CIA que me introduziram tubos e outros no ânus enquanto estava amarrado", "disseram-me que iam violar a minha irmã" entre outras ameaças aos seus familiares residentes nos Estados.

Atentados terroristas no Paquistão, Indonésia

Entre as suas confissões, Majid Khan admitiu que participou numa tentativa de assassinato do presidente do Paquistão, e que entregou 50 mil dólares à célula da Al-Qaida na Indonésia. O montante financiou um atentado contra um hotel.

Cabo Verde na rota


Este facto noticioso reavivou a memória sobre Guantánamo ter entrado ativamente em Cabo Verde e em seu apoio a memória-arquivo que confirma ter, em 2010 o presidente do MpD e (ex-) primeiro-ministro de 1991 a 2000 invocado a nossa “obrigação política e moral” de receber o preso de Guantánamo. E Cabo Verde recebeu-o.

A memória não engana que foi colocado em São Vicente. Pensava-se que o seu paradeiro era seguro e secreto. Secreto não foi: um laborioso repórter deste semanário descobriu-o. Uma nova "quente quente", um segredo de Estado assim revelado! Consequência: desapareceu o sr. Khan (?), nunca mais soubemos dele.

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Fontes: AFP/NY Times. Relacionado: Peritos pedem encerramento de Guantánamo, 02.mai.013; Mais de metade dos prisioneiros de Guantánamo em greve de fome, 22.abr.013. Fotos: Majid Khan, operacional da Al-Qaida detido em 2003 aos 23 anos e condenado em fins deste outubro a 86 anos, deve ser libertado em janeiro próximo. Mais de uma década sobre a promessa eleitoral de Obama de que ia encerrar Guantánamo, continuam manifestações a pedir o fim desse "campo de torturas que é a ilegal base militar" dos EUA em Cuba.

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