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Guarda prisional Cathy caiu no banditismo corso: "Assumo: sou ’a matona’ das duas mortes" 08 Janeiro 2022

Há mais de dois anos, o jugamento estava agendado para janeiro de 2020. A Covid fez adiar tudo, enqanto Cathy a parisiense detida em fins de 2019 aguardava. Dois anos depois ... o direito ao esquecimento parece prevalecer.

Guarda prisional Cathy caiu no banditismo corso:

A guarda prisional Cathy Sénéchal, a "parisiense" para todos os que a conhecem na ilha da Córsega, a 800 quilómetros de Paris, esteve em tribunal em fins de 2019 arguida por cumplicidade num duplo homicídio ocorrido em dezembro de 2017 no aeroporto de Bastia, a capital nortenha da ilha mediterrânica sob jurisdição francesa. A prova: o beijo que ela, de verde no desenho, deu ao recém-desembarcado do voo Paris-Bastia.

Os passageiros do primeiro voo de Paris, desembarcados no aeroporto de Bastia-Poretta a meio da manhã desse dia 5 de dezembro, foram surpreendidos com a temperatura agradável, céu claro e sol a brilhar. Entre eles, estava o homem de boné vermelho e casacão castanho que tinha à sua espera um amigo, de casacão cinzento. O duo, da máfia corsa, sem saber está a ser seguido (ilustração).

Atrás deles têm o homem de porte atlético, com uma mochila. De dentro extrai uma kalashnikov e abre fogo. Em passos controlados, chega junto dos dois homens caídos e dispara sobre eles de perto com uma pistola automática.

Tudo decorre em segundos e as testemunhas aturdidas ouvem um homem, ao volante dum Volkswagen Golf preto, que diz: "Não se preocupem, isto é um filme!".

O atirador está calmo, e as testemunhas respiram aliviadas: "Não é nada, é só um filme", dizem entre si enquanto "na maior das calmas" o atirador entra na viatura, que arranca.

Cathy Sénéchal, a "matonne/guarda"

Cathy Sénéchal, a "parisiense"que afinal nasceu e sempre viveu no extremo norte, em Pas-de-Calais, esteve mais de um ano no centro penitenciário de Riom, no departamento de Clermont-Ferrand, no centro de França, a aguardar julgamento por "duplo homicídio em associação de criminosos".

Cúmplice? Negam com um rotundo não os amigos e familiares de Cathy. A reportagem do Le Monde, publicada em 29.10.019, ouviu pessoas próximas da detida que afirmam que ela entrou na dinâmica da prisão, tão longe de casa, e que se tornou próxima de alguns presos, ouvindo as suas queixas. Confidente, sim, quase amiga, mas cúmplice não.

Uma reportagem do Le Monde em janeiro deste ano revisita a história incrível desta mulher ainda nova, casada e mãe de cinco filhos que aceitou ajudar um dos seus presos, um jovem corso do clã Brisa do Mar, que queria vingar a morte do pai por um clã mafioso rival.

A própria ré disse no auto de averiguação do Ministério Público que dentro dos muros da prisão de Borgo, na ilha da Córsega, "é tudo mais suave". Presos e guardas tomam o café juntos, na cela ou no gabinete. Às vezes almoçam juntos ao domingo. "Um ou outro guarda teve o almoço na cantina pago por um preso", descreveu Cathy ao investigador.

Essa proximidade entre guardas e guardados chega a beirar a amizade: "Tratamo-nos por ’tu’, pelo primeiro nome, cumprimentamo-nos com dois beijinhos, perguntamos pelos miúdos (filhos)"...

A proteção é mútua, "é raro acontecer um guarda ser agredido". Em janeiro de 2018 "um preso esfaqueou um guarda. De imediato, os outros presos defenderam o guarda e salvaram-lhe a vida", explicou Cathy sobre a prisão que descreve como um lugar com uma "atmosfera que sempre foi muito particular". Descrição feita com versos de Jacques Brel.

Fontes: Le Monde/ Novel Obs/.. Relacionado: Córsega: ’Vida dupla’ da guarda prisional Cathy, 31.out.019. Ilustração: O homem de porte atlético extraiu da mochila uma kalashnikov e abre fogo sobre os dois homens que o beijo de Cathy identificou.

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