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Israel é aceite na União Africana — ’Dia histórico’, diz Yair Lapid 23 Julho 2021

O ministro israelita dos Negócios Estrangeiros expressou hoje, 22, alegria pela admissão do Estado de Israel na União Africana como país com o estatuto de Observador. "Foram dois decénios à espera deste dia histórico em que reatamos as relações Israel-África", com referência à saída de Israel quando em 2002 se deu a extinção da OUA-Organização da Unidade Africana antecessora da UA.

Israel é aceite na União Africana — ’Dia histórico’, diz Yair Lapid

Observador na União Africana. Concretizou-se o grande sonho de Benjamin Netanyahu que, em busca de um posto de Observador na União Africana, se desdobrou em iniciativas de aproximação Israel-África, inéditas.

É uma linha de continuidade que se estabelece, pois, entre o atual governo centrista liderado por Bennett-Lapid e a investida africana do anterior governo conservador. Netanyahu apoiado pelos religiosos e que teve no "combate ao terrorismo islâmico" um argumento de peso.

A ameaça fundamentalista islâmica, identificada pela frente diplomática do governo israelita (este e aquela liderados por Netanyahu, aliás), resultara já no périplo inédito pela África Oriental (visitas ao Uganda, Quénia, Ruanda e Etiópia), em julho de 2016.

Um ano depois, em junho de 2017, o primeiro-ministro discursou na Cedeao. Era um importante passo, na sua ambição maior de integrar a União Africana.

Votos na ONU

Afinal, os 55 países da União Africana garantem a maioria de votos contra Israel nas Nações Unidas e em outros órgãos internacionais.

E há mais motivos para Israel querer estar na UA. Um deles, é que países de maioria muçulmana como Marrocos e Senegal mantêm duras críticas contra Israel.

Outro, o Sudão proíbe a entrada de cidadãos israelitas no país, tal como a Mauritânia, que rompeu as relações com Israel em 2010, após um bombardeio israelita na Faixa de Gaza. Outro ainda, a África do Sul não esqueceu ainda que Israel apoiou o regime do apartheid.

Ambição intensificada também desde que, em 2013, a União Africana acolheu a Palestina como observador.

Onde Cabo Verde entra

Foi em agosto de 2017, a seguir à sua "vitoriosa" participação na Cimeira da UA, que o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu fez Cabo Verde entrar numa saia-travada.

E quase se abria uma crise diplomática, com vozes vindas de várias frentes a perguntar se o país se esquecera que nos mais de quarenta anos deste país, a prioridade da diplomacia era clara: evitar dar tiros no próprio pé, em termos de condução das relações internacionais.

A notícia publicada na conta Twitter de Netanyahu era que "Cabo Verde não voltaria a votar contra Israel na ONU", tal como lhe tinha "garantido" "o Presidente da República Jorge Carlos Fonseca". A acompanhar tal feito diplomático extraordinário, a foto do encontro entre o chefe de governo e o chefe de Estado. Mas será que bastaria a foto para provar o "tremendo" compromisso?

No entanto, o caso, como "vitória" da diplomacia liderada pelo primeiro-ministro israelita, segundo este se apressara a anunciar, não passou despercebido entre os criolos. Seguiu-se o desmentido do presidente da República Jorge Carlos Fonseca, que afirmou que a questão nem sequer fora abordada entre os dois dirigentes na cimeira.

Seis meses depois, dava-se o facto de Cabo Verde votar abstenção na Assembleia-Geral das Nações Unidas, a 21 de dezembro (de 2017), sobre a instalação da embaixada dos Estados Unidos em Jerusalém com o reconhecimento desta cidade como capital de Israel.

Todavia, tal facto teve duas leituras, em duas direções: para uns, foi entendido como o cumprimento da garantia de que "Cabo Verde não voltaria a votar contra Israel na ONU", enquanto para outros provava que Netanyahu se enganara na interpretação, ou seja, o erro era de tradução ("lost in translation").

Um fait-divers ou entrará para a história diplomática, como se viu com Alexandre de Gusmão no século de ouro das Relações Internacionais em português?

Fontes: TOI/. Relacionado: Israel: Netanyahu em ofensiva eleitoral é primeiro a visitar Chade em 50 anos — África entra nos planos, 21.jan.019.

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