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Sal/Reportagem: Pescadores alertam pela situação difícil e pedem mais apoio por parte do Governo 04 Mar�o 2021

Um grupo de pescadores da localidade da Palmeira, ilha do Sal, pede mais apoio e atenção por parte do Governo para a esta classe. Em entrevista ao jornal A Semana, as fontes revelaram que nunca receberam nenhum apoio social por parte do executivo de Ulisses Correia e Silva, mesmo no período de confinamento social no país devido à pandemia de Covid-19. Alertam que estão a passar por momentos difíceis por causa da redução drástica da atividade turística na ilha.

Sal/Reportagem: Pescadores alertam pela situação difícil e pedem mais apoio por parte do Governo

Com a redução da atividade empresarial, com destaque para a área do turismo, esses profissionais marítimos viram com a crise os seus rendimentos a baixar drasticamente. Muitos revelam que enfrentam, neste momento, uma quebra considerável nas receitas, já que o abastecimento de peixes a hotéis, bares e restaurantes diminuiu por conta do vírus do Sars-cov-2.

A situação está “complicada”, sobretudo “com a falta de apoio”. A afirmação é do pescador Lim da Luz, encontrado em frente ao cais de pesca da Palmeira, por volta das 12:00 desta quinta-feira, tratando uma pequena quantidade de peixe, que conseguiu pescar neste dia. Este profissional revela que houve uma redução significativa no rendimento. “Tem dias que não conseguimos pescar nada. A venda está fraca e as despesas estão muito altas. Por vezes, quando não consigo pescar nada, tenho vontade de voltar a pescar no mesmo dia, mas as despesas com o combustível é tão grande que não vale a pena fazer isso, portanto o que resta é esperar para o próximo dia de pesca”, expressou.

Para este pai e profissional que vive há quase 50 anos entre as ondas do mar, é triste quando chega no final do dia e não consegue levar nada para casa.

Já o seu colega Alexandre Tavares afirma que esta é uma profissão que exerce com muito orgulho, apesar das dificuldades. “O meu pai sempre foi pescador e acabei por seguir este caminho também. É uma profissão complicada, porque tem dias que não conseguimos pescar nada, sem contar com os riscos que nós passamos. Porém, continuo a exercê-lo com muito orgulho apesar de não ser o futuro que escolhi, porque as condições para estudar eram mínimas na altura”, revelou.

Este homem do mar de apenas 46 anos e que trabalha como pescador há mais de 5 anos, revelou ainda que assim como os outros pescadores, parte do peixe que capturava se destinava aos hotéis e restaurantes e que, por isso, com a falta de turistas, o rendimento diminuiu. “A vida de um pescador é incerto porque têm dias que nós conseguimos pescar bem, mas tèm outros que não muito. No entanto, com esta pandemia a situação piorou, porque não temos os grandes pedidos dos hotéis e dos restaurantes”, enfatizou

A reportagem do Asemanaonline também falou com Carlos Brito Ramos, que decidiu se aventurar nesta profissão há quatro meses. Uma profissão que, conforme nos avançou, é muito difícil e, ao mesmo tempo, muito incerto. “A pesca está muito fraca. Os peixes não querem morder a isca e a assim fica muito difícil, além do que nem sempre o lucro cobre as despesas, estando agora o combustível a um preço elevado”, expressou.

Em relação ao combustível, ambos os pescadores adiantam que gastam em média 3000$00 escudos de gasolina por dia, principalmente nos dias que o tempo não está bom.

Segundo as fontes que este jornal teve acesso, a garoupa, o Bidion e o Atum são os peixes que mais vendem. Mas com a crise, esses profissionais tiveram que baixar o preço. A Garoupa é vendida às peixeiras, que depois vão revender o pescado, por apenas 300$00 e o atum por 250$00.

LC/Redação

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